A palavra felicidade vem do latim felicitas, termo que também carregava ideias como fértil, fecundo, próspero e afortunado. Curiosamente, a felicidade esteve, desde muito cedo, associada àquilo que floresce e dá bons frutos. Epicuro, filósofo grego, defendia que uma vida feliz não dependia de excessos, mas da satisfação serena dos desejos essenciais, da amizade e da tranquilidade da mente.
Já a palavra riqueza tem raízes germânicas associadas às ideias de poder, força e domínio. No sentido econômico, muitos entendem riqueza como possuir imóveis, empresas, investimentos e ativos capazes de produzir renda. Para outros, entretanto, ser rico significa algo bem diferente: ter tempo, saúde, cultura, liberdade, boas relações e equilíbrio espiritual.
Sucesso, por sua vez, vem do latim successus, relacionado a avançar e obter um bom resultado. Para algumas pessoas, significa dinheiro, reconhecimento profissional, cargos importantes ou fama. Para outras, é simplesmente conseguir realizar os próprios sonhos e expectativas.
Percebe-se, portanto, que felicidade, riqueza e sucesso frequentemente se misturam. Mas existe uma pergunta importante: qual deles vem primeiro?
Quando fui instrutor do Empretec, workshop desenvolvido pela ONU e realizado no Brasil pelo Sebrae para estimular características empreendedoras, eu costumava destacar a importância do otimismo e do bom humor. Pessoas mais positivas normalmente criam relacionamentos com maior facilidade, desenvolvem melhores redes de contato e encontram mais oportunidades. Consequentemente, aumentam suas possibilidades de realizar bons negócios, alcançar sucesso e construir riqueza.
Durante muito tempo prevaleceu para as pessoas uma crença quase automática: “quando eu tiver sucesso, serei feliz”; “quando ganhar mais dinheiro, serei feliz”; “quando atingir aquela meta, finalmente serei feliz”.
Mas talvez tenhamos colocado a equação de cabeça para baixo.
No livro “O Jeito Harvard de Ser Feliz”, o autor Shawn Achor apresenta uma ideia especialmente interessante: não é apenas o sucesso que produz felicidade; um estado mental mais positivo também aumenta nossas possibilidades de obter sucesso. Pessoas sob emoções positivas tendem a apresentar melhor criatividade, capacidade de solucionar problemas, disposição para cooperar e qualidade na tomada de decisões.
Isso não significa, evidentemente, viver em estado permanente de euforia. Felicidade plena e contínua provavelmente não existe. Existem momentos felizes. E quem consegue construir muitos desses momentos tende a perceber sua própria vida como mais feliz.
Também precisamos diferenciar prazer momentâneo de bem-estar mais duradouro. Um aumento salarial, uma promoção ou a conquista de uma grande meta podem produzir enorme satisfação. Entretanto, depois de algum tempo, aquela novidade passa a fazer parte do cotidiano.
Por isso, talvez a felicidade esteja muito mais relacionada a pequenos hábitos repetidos diariamente: exercitar a gratidão, cultivar amizades, comemorar pequenas vitórias, ajudar outras pessoas, cuidar da saúde, perceber aquilo que já conquistamos e encarar dificuldades não apenas como problemas, mas também como desafios a serem vencidos.
Essa reflexão vale especialmente para as empresas. Ainda existe no mundo corporativo a ideia de que grandes resultados são obtidos principalmente através de pressão, cobranças permanentes e até certo autoritarismo. É claro que disciplina, cobrança e metas são necessárias. Porém, elas não precisam ser incompatíveis com confiança, reconhecimento e respeito.
Ambientes onde as pessoas têm boas relações, sentem-se valorizadas e possuem liberdade para pensar e criar tendem a produzir mais comprometimento, cooperação e inovação. Assim, talvez uma das responsabilidades mais importantes de um líder seja justamente criar condições para que as pessoas trabalhem melhor porque se sentem melhor, ou seja, mais felizes.
No final das contas, riqueza e sucesso podem proporcionar conforto, liberdade e oportunidades — e tudo isso pode colaborar com a felicidade. Mas talvez o caminho mais consistente seja justamente o inverso: construir primeiro uma vida mais positiva, grata e significativa e, a partir dela, aumentar nossas possibilidades de alcançar sucesso e riqueza.
E você? Que tal começar não perguntando apenas “o que falta para eu ter mais?”, mas também “o que posso fazer hoje para ser um pouco mais feliz com aquilo que já tenho?”
Talvez riqueza e sucesso venham depois.
Pense nisso.









