Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 13 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE), representou o Brasil em eventos internacionais como dirigente empresarial. Avô de Davi e Elisa.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

Você sabe o que significa “lobby”? É legal? É ético?

Quando alguém fala em “lobby” no Brasil, a reação quase automática é negativa. A palavra costuma vir carregada de desconfiança, como se estivesse sempre associada a algo ilegal, antiético ou realizado nos bastidores de forma obscura.

Mas será que é isso mesmo?

Segundo o Dicionário Oxford, o termo lobbying (lobismo) surgiu a partir dos encontros entre parlamentares e membros da nobreza britânica nos corredores — os chamados lobbies — do Parlamento, antes e depois das sessões. Ali, pessoas buscavam influenciar decisões, apresentar demandas e defender interesses. Assim nasceram os chamados lobistas.

Ou seja: desde a sua origem, lobby é representação e defesa de interesses.

Na prática, lobby nada mais é do que a tentativa legítima de influenciar decisões públicas. Empresas, trabalhadores, associações e cidadãos organizados dialogam com o poder público para apresentar suas demandas, dificuldades e propostas. Isso não apenas é natural — como também é essencial em qualquer democracia madura.

Nos Estados Unidos e na Europa, o lobby é regulamentado, transparente e reconhecido como parte do processo democrático. Existem regras claras, registros públicos e mecanismos de controle.

No Brasil, por outro lado, ainda não há uma regulamentação específica. E é justamente essa ausência que alimenta o preconceito. Muitas vezes, a palavra “lobby” acaba sendo confundida com troca de favores ilícitos ou corrupção.

Mas isso é um equívoco. O lobby, em sua essência, é uma atividade legal, ética e necessária.

Vejamos alguns exemplos simples do dia a dia:

Quando um presidente de sindicato de trabalhadores luta por melhores salários para sua categoria, ele está fazendo lobby.
Quando um líder comunitário vai à Câmara Municipal pedir melhorias para seu bairro, ele está realizando lobby.
Quando uma entidade empresarial atua para influenciar políticas públicas, ela está praticando lobby.

Eu mesmo, quando exerci, como dirigente voluntário, a presidência da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo, tinha como missão representar e defender os interesses da indústria capixaba. Atuávamos em nível estadual, nacional e até internacional.

Da mesma forma, atuei na presidência do SEBRAE-ES e no Conselho da Pequena Empresa, sempre com o objetivo de defender e fortalecer os micros e pequenos negócios.

Isso também é lobby.

Inclusive, o próprio Congresso Nacional reconhece, na prática, essa dinâmica. As chamadas bancadas temáticas — como a do agronegócio, a evangélica, a da segurança, a sindical, a de direitos humanos e a ambientalista, entre outras — são expressões claras da organização de interesses.

Isso também é lobby.

Portanto, o problema não está na existência do lobby. O problema está na falta de regras claras. A ausência de regulamentação não elimina a prática — apenas a torna menos transparente e mais sujeita a interpretações equivocadas.

O que o Brasil precisa não é combater o lobby, mas regulamentá-lo, como já fazem países desenvolvidos.

Com regras claras, transparência, igualdade de acesso e responsabilização, o lobby deixa de ser visto como algo suspeito e passa a ser reconhecido pelo que realmente é: uma ferramenta legítima de participação e representação.

Porque, no fim, alguém sempre estará influenciando decisões públicas. A diferença é saber quem, como e com quais interesses.

O que não pode — e nunca deve — acontecer é a prática de corrupção, subornos ou qualquer atividade ilícita. Isso não é lobby. Isso é crime.

Lobby é outra coisa.

É diálogo.
É representação.
É responsabilidade.

E uma pergunta pessoal:
Você já praticou lobby na sua vida, defendendo os seus legítimos interesses?

E mais uma reflexão:
Você já parou para pensar quem está, neste momento, fazendo lobby pelas decisões que impactam diretamente o seu negócio — e a sua vida?

Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 13 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE), representou o Brasil em eventos internacionais como dirigente empresarial. Avô de Davi e Elisa.

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