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13 de junho de 2024
quinta-feira, 13 de junho de 2024
Fernando Carreiro
Fernando Carreiro
Há 18 anos, Fernando Carreiro vive no meio do poder e dos poderosos. Jornalista, é consultor de comunicação especializado em crises de imagem, estratégia política e comportamento humano.

O desastre eleitoral acontece quando as tendências são ignoradas

O brasileiro não acredita mais na política e em seus personagens. Esse é um filme antigo que se repete nos intervalos das eleições. É um sentimento sazonal que se dissipa à medida que a eleição se aproxima, o eleitor começa a observar nomes, refletir sobre propostas e assimilar discursos.

O desastre eleitoral acontece quando as tendências são ignoradas

Abraham Lincoln, um dos mais proeminentes presidentes que os EUA tiveram, lembrou muito bem que o povo pode até ser enganado, mas não todo o tempo. Desde a redemocratização, o brasileiro está mais cauteloso, pensa mais e tem certo medo de errar na hora do voto. Acontece que a polarização, posta como está, acaba cegando alguns aspectos racionais que são levados em consideração no momento da escolha dos representantes. Não é regra, não em toda cidade, mas tem ocorrido.

O filósofo Norberto Nobbio, autor de obras importantíssimas sobre o pensar político, dizia que a democratização da informação na sociedade impõe uma democratização política. O perfil do novo político, nessa nova ordem, estará mais compromissado com grupos sociais, menos individualista e mais solidário; mais transparente e submetido ao controle da mídia e da própria sociedade. O eleitor é que acaba confundindo – ou é confundido pelas equipes de marketing – ao optar pelo despreparo de algumas figuras como se elas fossem o retrato da nova política.

A boa política exige que aventureiros e oportunistas sejam empurrados para fora do processo eleitoral. Na teoria. Mas a prática, como se sabe, costuma ser outra. O eleitor escolhe um ou outro aventureiro, se arrepende e depois, com o rabo entre as pernas, volta algumas casas para alcançar seu ethos.

Essa oscilação de perfis, entre o novo político e o político profissional ocorre de tempos em tempos, de decepção em decepção. É cíclico e não é parte de uma tendência geral; é reflexo de uma realidade local, da fotografia daquele momento, daquela cidade. Mas há, sim, tendências que emergem dos vendavais em série e têm o poder de varrer a percepção do eleitor sobre o que é necessário. A polarização tal qual vemos hoje é esse tornado.

 

O olho de um tornado, a propósito, é silencioso. Quem está ali, no centro daquela indelicadeza da natureza, acha que tudo está normal do lado de fora. Mas só quem está distante – ou quem dele sai litigiosamente desamparado e desnorteado, depois – percebe o estrago que ele faz.

O Seu José e a Dona Maria que vivem na periferia e que usam os serviços públicos de saúde e educação são que vão decidir a eleição. Dificilmente, os políticos conseguem captar os sentimentos dessas pessoas. Os grandes desastres eleitorais acontecem quando não se perscruta minuciosamente o coração do eleitor. E é aí que entra o marketing político e eleitoral.

A capacidade de antecipar tendências deve ser a grande característica do estrategista de campanhas eleitorais. Estudar, profundamente, a situação do eleitorado e o posicionamento da candidatura, para poder vislumbrar os caminhos por onde a campanha deverá passar.

O voto é um processo de conscientização. Para conquistá-lo, não basta uma música bonita e uma campanha bem-arrumada. É um trabalho longo, demorado, paciente. É preciso a persistência do escultor que cinzela várias vezes na pedra até lapidá-la.

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Há 18 anos, Fernando Carreiro vive no meio do poder e dos poderosos. Jornalista, é consultor de comunicação especializado em crises de imagem, estratégia política e comportamento humano.

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