Quando se fala em tratamento contra o câncer, muitas pessoas associam automaticamente a quimioterapia à perda de peso. No entanto, uma realidade observada nos consultórios oncológicos é justamente o contrário: o ganho de peso durante o tratamento. Embora esse assunto ainda seja pouco discutido, ele merece atenção porque pode impactar diretamente a qualidade de vida, a autoestima e o mais importante: os resultados terapêuticos do paciente.
Diversos fatores contribuem para esse aumento de peso durante a quimioterapia. Alguns medicamentos utilizados no tratamento podem provocar retenção de líquidos, aumento do apetite, alterações hormonais. Além disso, o próprio desgaste emocional provocado pelo diagnóstico e pela rotina do tratamento pode levar muitas pessoas a buscarem conforto na alimentação.
Outro ponto importante é a mudança na rotina. Durante o tratamento, muitos pacientes passam mais tempo dentro de casa, afastados temporariamente do trabalho e das atividades habituais. Com maior acesso à comida ao longo do dia e uma rotina mais sedentária, torna-se mais fácil aumentar a ingestão calórica sem perceber. Pequenos excessos frequentes acabam contribuindo para um ganho progressivo de peso.
A redução das atividades físicas também influencia diretamente nesse processo. É comum que o paciente imagine que precisa permanecer em repouso constante durante todo o tratamento, mas isso na maioria das vezes não é verdade. Respeitando os limites individuais e com acompanhamento médico adequado, manter o corpo em movimento é fundamental.
Em muitos casos, após os primeiros dois ou três dias posteriores à quimioterapia — período em que alguns efeitos colaterais costumam ser mais intensos — já é possível retornar gradualmente às atividades físicas habituais. Caminhadas, alongamentos e exercícios ajudam a preservar massa muscular, melhorar a disposição, controlar a ansiedade e reduzir o risco de ganho excessivo de peso.
Além das questões metabólicas e emocionais, existe ainda outro alerta importante: a obesidade é considerada um fator de risco para diversas doenças e também pode estar relacionada à recorrência de alguns tipos de câncer. Por isso, o controle do peso deve fazer parte do cuidado integral do paciente oncológico.
Nesse contexto, o acompanhamento multidisciplinar tem papel essencial durante todo o tratamento. O nutricionista, atuando em conjunto com o oncologista, consegue oferecer orientações individualizadas, adequando a alimentação às necessidades de cada fase da terapia. Muitas vezes, pequenas mudanças alimentares já ajudam o paciente a enfrentar melhor os efeitos da quimioterapia, manter a energia e evitar alterações importantes no peso.
O tratamento oncológico vai muito além do combate à doença. Ele envolve cuidado contínuo com o corpo, a saúde emocional e a qualidade de vida. Informação, acompanhamento adequado e hábitos saudáveis fazem diferença em cada etapa dessa jornada.
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