O vereador Cleber Serrinha (MDB) voltou ao exercício do mandato na Câmara da Serra nesta quarta-feira (4), após decisão judicial que revogou seu afastamento. Em um discurso marcado pela emoção, com momentos de choro, o parlamentar afirmou que conseguiu provar sua inocência, agradeceu o apoio recebido durante os 13 meses longe do Legislativo e declarou que retorna com mais disposição para trabalhar pelo município.
A galeria da Câmara estava cheia, com a presença de moradores de comunidades como Jacaraípe e Barcelona, além de representantes do sindicato e familiares do vereador. Cleber foi aplaudido durante a sessão e disse que volta ao Legislativo sem mágoas ou ressentimentos.
“É com muita humildade e emoção que retorno à Casa do Povo. Hoje volto com o coração em paz, sem sentir ódio, rancor e sem mágoa de ninguém. Foram 13 meses muito difíceis, meses de dor, de silêncio, vendo a minha família sofrer”, afirmou.
O vereador também mencionou a presença da filha na galeria e agradeceu à família pelo apoio durante o período de afastamento. Segundo ele, a experiência permitiu reconhecer quem esteve ao seu lado nos momentos mais difíceis.
“Quando a gente está numa situação dessa, a gente vai entender realmente quem é quem. Passei por isso para saber realmente quem me abraçou, quem me deu apoio. Mas, graças a Deus, a Justiça está sendo feita”, declarou.
Cleber afirmou que nunca deixou de acreditar na Justiça e que sempre teve a consciência tranquila. Ele também destacou que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) devolveu o mandato que recebeu dos eleitores da Serra nas eleições de 2024.

“Apesar de todo sofrimento e desse sentimento de injustiça que me acompanhou durante esse período, quero dizer a vocês, de cabeça erguida: minha consciência sempre esteve limpa. Eu nunca, em dia nenhum sequer, deixei de acreditar na Justiça desse país. Hoje o Superior Tribunal me devolveu o meu mandato que o povo da Serra me concedeu nas urnas em 2024. Hoje a Justiça foi feita”, afirmou.
O parlamentar agradeceu a Deus, à família, aos advogados Federico e aos demais profissionais que atuaram em sua defesa. Também dirigiu agradecimentos aos moradores que fizeram orações, enviaram mensagens e ofereceram palavras de apoio.
“Quero agradecer primeiramente a Deus, que me sustentou nos momentos mais difíceis e não me deixou cair. Agradecer à minha família, que nunca soltou minha mão, esteve ao meu lado em todos os momentos. E, de maneira muito especial, agradecer a cada morador da Serra que fez uma oração, que me enviou uma mensagem ou uma palavra de força e carinho. Saiba que cada gesto fez a diferença”, disse.
Ao falar sobre o retorno, Cleber afirmou que pretende concentrar sua atuação no trabalho pelo município, sem alimentar conflitos relacionados ao período de afastamento.
“Eu não voltei para olhar para trás, voltei para olhar para frente. Volto com muito mais força, com muito mais garra e, acima de tudo, com ainda mais vontade de trabalhar pelo povo da Serra”, declarou.
O vereador também citou a carta-testamento do ex-presidente Getúlio Vargas como inspiração para sua nova fase no Legislativo.
“Ao ódio, respondo com perdão. E aos que pensavam que iam me derrotar, respondo com a minha vitória. A minha resposta não será o ódio, será o trabalho. Não será o ressentimento, será o compromisso com o futuro”, afirmou.
Ao encerrar o pronunciamento, Cleber reforçou que não guarda ressentimentos e atribuiu a Deus o conhecimento sobre sua conduta.
“Hoje o que me deixa tranquilo é que Ele sabe que eu sou inocente”, concluiu.
O afastamento
Cleber Serrinha havia sido afastado cautelarmente do mandato em 23 de setembro de 2025, por decisão judicial, no âmbito de uma investigação sobre suspeita de corrupção passiva. A denúncia apontava que o vereador teria solicitado ou aceitado vantagem para aprovar o Projeto de Lei 69/2024, incluindo pagamento ou doação de um terreno de seis mil metros quadrados.
O afastamento foi revogado em 27 de outubro de 2026, por decisão da ministra Maria Marluce Caldas, no Recurso em Habeas Corpus (RHC) 235296/ES. Entre os fundamentos estavam o excesso de prazo da medida e a ausência de elementos concretos recentes que justificassem sua manutenção, como risco de intimidação de testemunhas, ocultação de provas ou descumprimento de medidas cautelares.
Em 3 de novembro, o Ministério Público Federal (MPF) apresentou agravo regimental para tentar reverter a decisão e manter o afastamento. Mesmo com a contestação, o vereador retornou à Câmara.
Durante o pronunciamento, Cleber reafirmou que considera ter sua inocência reconhecida pela decisão judicial e disse que pretende honrar a confiança dos eleitores com seu trabalho no Legislativo municipal.
MPF recorre ao STJ contra retorno de Serrinha ao mandato de vereador










