Ataques hackers que atingem serviços essenciais em diferentes países acenderam um alerta sobre a segurança digital. Na Europa, criminosos conseguiram interferir em sistemas de refrigeração de supermercados e até de centros de conservação de bolsas de sangue nos últimos dias. No Brasil, o país aparece entre os mais atacados por hackers da América Latina. Já no Espírito Santo, sites de câmaras municipais, Detran e até de planos de saúde foram alvo de invasões, aumentando a preocupação sobre a proteção dos serviços e das informações dos cidadãos.
Diante desse cenário, como o Espírito Santo se prepara para evitar invasões e proteger os dados da população?
O Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado (Prodest), responsável pela estrutura tecnológica do Governo do Espírito Santo, afirma que mantém monitoramento contínuo dos sistemas e adota medidas para identificar e bloquear atividades suspeitas.
Segundo o diretor-geral do órgão, Marcelo Cornélio, as tentativas de invasão fazem parte da rotina de grandes estruturas conectadas à internet.
“O cenário é de risco elevado e contínuo, e o Prodest o trata como permanente, e não como episódico”, afirma.
De acordo com Cornélio, ataques de grande repercussão em outros países podem estimular criminosos a tentar reproduzir as mesmas ações em outras regiões. Por isso, o órgão acompanha alertas de centros de resposta nacionais e internacionais e reforça a vigilância quando necessário.
Ele ressalta, porém, que os episódios registrados no exterior não representam, por si só, uma ameaça específica ao Espírito Santo.
Como o Prodest protege os sistemas do governo do ES?
Segundo Cornélio, o Governo do Espírito Santo recebe diariamente tentativas de acesso indevido aos seus sistemas. A maioria dessas ações, porém, é automatizada e tem baixo nível de sofisticação.
Para evitar que essas ações comprometam os serviços públicos ou exponham informações dos cidadãos, o Prodest afirma que adota diferentes medidas de proteção. Entre elas estão o controle de acesso aos sistemas, o uso de autenticação reforçada, a atualização de programas e a correção de falhas de segurança. O trabalho também inclui criptografia de dados sensíveis e a realização de cópias de segurança, que permitem recuperar informações em caso de incidentes.
A prevenção é acompanhada por um monitoramento contínuo de redes, servidores e aplicativos. As equipes observam o funcionamento dos sistemas para identificar comportamentos fora do padrão e agir antes que uma tentativa de invasão provoque danos maiores.
“Quando um evento anômalo é detectado, a equipe o analisa e aplica as medidas de contenção, como bloqueios e isolamento do recurso afetado”, explica Cornélio.
Entre as ameaças mais comuns enfrentadas por órgãos públicos estão os golpes enviados por e-mails e mensagens falsas, usados para enganar servidores e obter senhas; o uso indevido de credenciais roubadas; e a exploração de falhas em programas e equipamentos. Também há ataques de ransomware, nos quais criminosos bloqueiam o acesso a arquivos ou sistemas e exigem dinheiro para liberá-los.
Os alvos mais frequentes costumam ser serviços com grande número de usuários ou que armazenam informações pessoais, como portais de atendimento ao cidadão, sistemas de autenticação e contas de e-mail. Por isso, além das barreiras tecnológicas, a proteção depende de atenção constante às possíveis falhas e aos riscos de acesso indevido.
E se um ataque tirar um serviço público do ar?
O Prodest também afirma ter procedimentos para agir caso uma invasão comprometa algum sistema ou interrompa serviços digitais do governo.
A preparação inclui medidas para conter o ataque, recuperar informações e restabelecer o funcionamento dos serviços. O órgão também mantém cópias de segurança e planos para reduzir os impactos à população.
“Existe processo estruturado de resposta a incidentes, com papéis definidos, procedimentos de contenção e recuperação, e canal de comunicação com as áreas e órgãos envolvidos”, afirma o diretor.
A proteção também envolve os dados pessoais dos cidadãos. Segundo Cornélio, as medidas seguem os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que estabelece regras para o uso e o armazenamento dessas informações.
Brasil está entre os países mais atacados por hackers
Um levantamento da empresa de segurança digital NETSCOUT, divulgado recentemente pela CNN, apontou que o Brasil foi o principal alvo de ataques DDoS na América Latina no primeiro semestre de 2026. Foram 487 mil tentativas, quase metade dos 1,1 milhão de ataques registrados em toda a região.
Esse tipo de ataque acontece quando criminosos enviam um volume muito grande de acessos a um site ou servidor, provocando sobrecarga e podendo tirar o serviço do ar. No total, foram registrados mais de 9,1 milhões de ataques DDoS em 209 países. No Brasil, o número cresceu 3,56% em comparação com o semestre anterior.
Entre os setores mais atingidos no país estão as empresas de telecomunicações e os serviços de hospedagem e infraestrutura de computação.
Inteligência artificial aumenta preocupação
A evolução da inteligência artificial também traz novos desafios para a segurança digital. Na avaliação de alguns especialistas, a tecnologia pode ser usada por criminosos para aperfeiçoar golpes, automatizar tentativas de invasão e explorar falhas com mais rapidez.
Para Cornélio, no entanto, no caso do Espírito Santo, um dos maiores problemas continua sendo o comportamento das pessoas.
“O maior desafio é o fator humano, já que grande parte dos incidentes começa com credenciais obtidas por golpes de engenharia social”, destaca.
Na prática, isso significa que uma senha compartilhada por engano ou um clique em um link falso pode abrir caminho para criminosos acessarem sistemas e informações.
Como proteger seus dados?
O Prodest recomenda que os cidadãos adotem alguns cuidados para evitar golpes e acessos indevidos:
Use senhas diferentes: não repita a mesma senha em vários aplicativos e serviços.
Ative a verificação em duas etapas: o recurso dificulta o acesso de pessoas não autorizadas.
Desconfie de mensagens: evite clicar em links suspeitos ou fornecer senhas e dados pessoais.
Confira os sites: acesse os serviços do Governo do Estado pelos endereços oficiais, com domínio es.gov.br.
Troque suas senhas: se suspeitar que seus dados foram expostos, faça a alteração imediatamente e avise o órgão responsável pelo serviço.
O diretor do Prodest reforça que a prevenção precisa envolver tanto os órgãos públicos quanto os próprios usuários. Em um cenário de ataques cada vez mais frequentes, proteger informações e manter os serviços digitais funcionando exige atenção constante.










