Um gavião treinado virou aliado de um hospital do Espírito Santo no combate a um problema comum nas cidades: a presença de pombos. Desde outubro, a ave percorre áreas externas do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes), em Vitória, para afugentar esses pássaros e ajudar a reduzir os riscos de doenças em um ambiente onde a higiene é fundamental.
A iniciativa utiliza a falcoaria, técnica que recorre a aves de rapina treinadas para afastar outras aves sem depender de métodos convencionais de controle de pragas. Além de contribuir para a limpeza e a conservação das instalações, a medida busca diminuir a exposição de pacientes, acompanhantes e profissionais a agentes que podem estar associados aos pombos.
Segundo o biólogo do hospital, David Salles, a técnica foi escolhida por ser uma alternativa ecológica e sustentável, já utilizada em locais como aeroportos, indústrias e grandes centros urbanos.
Gavião tem seis anos e também atua no Aeroporto de Vitória
O responsável pelas rondas é um gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus), de seis anos. A ave já trabalha no controle de pássaros no Aeroporto de Vitória, onde contribui para a segurança das operações aéreas.
No Hucam-Ufes, administrado pela HU Brasil, o trabalho será realizado em períodos programados, com a circulação da ave pelas áreas externas do campus. A operação é conduzida por uma empresa especializada em consultoria ambiental e manejo de animais que se adaptaram à convivência com os seres humanos nas cidades.
A iniciativa também prevê a instalação de placas para informar pacientes, acompanhantes, trabalhadores e demais frequentadores sobre a presença do gavião e os cuidados necessários durante as rondas.
Por que os pombos preocupam em um hospital?
Embora sejam comuns em praças, ruas e prédios, os pombos podem representar um risco sanitário, principalmente em locais que exigem cuidados rigorosos com a higiene.
De acordo com o biólogo, o acúmulo de fezes e plumas pode prejudicar a conservação das estruturas e comprometer sistemas de ventilação e ar-condicionado. Além disso, as aves podem estar associadas a fungos, bactérias e parasitas capazes de provocar doenças.
A infectologista do Hucam-Ufes, Rubia Miossi, destaca quatro infecções que merecem atenção:
– Criptococose: infecção que pode atingir os pulmões e, nos casos graves, provocar meningite.
– Histoplasmose: doença causada por um fungo encontrado no ambiente e associado a locais com acúmulo de fezes de aves e morcegos.
– Salmonelose: infecção bacteriana que pode ocorrer após o consumo de água ou alimentos contaminados.
– Psitacose: doença infecciosa que pode causar febre e sintomas respiratórios.
A presença de pombos, porém, não significa que todas as aves estejam infectadas ou que haverá transmissão de doenças. O controle busca reduzir situações que favoreçam a exposição a possíveis agentes causadores de infecções.
Hospital orienta a não alimentar os pombos
O uso do gavião não será a única medida adotada pelo hospital. A iniciativa também inclui ações de educação ambiental para incentivar hábitos que dificultem a permanência e a reprodução dos pombos nas áreas externas.
Entre as principais orientações estão não alimentar as aves e evitar deixar restos de comida, marmitas e lixo expostos em pátios, calçadas e espaços de circulação.
A comunidade também deve evitar tocar no gavião ou nas demais aves utilizadas durante a operação e seguir as instruções dos profissionais responsáveis pelo trabalho.
A proposta é combinar a presença da ave de rapina com mudanças de comportamento para reduzir a oferta de alimento e tornar as áreas externas menos atrativas para os pombos.










