Explosão Industrial: como o Espírito Santo superou o Brasil e assumiu a liderança nacional

O Espírito Santo disparou na frente do país e assumiu o topo do ranking da produção industrial brasileira. Com um salto impressionante de 17,7% nos primeiros oito meses de 2026, a indústria do Espírito Santo deixou para trás a média nacional — que cresceu apenas 0,8% no período — e desbancou estados como Pernambuco (+13,9%) e Mato Grosso do Sul (+7,1%).

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisada pelo Observatório Findes. O resultado reflete o aquecimento da indústria extrativa e a força da indústria de transformação no estado.

Para Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), a conquista reforça o papel estratégico da região na economia do país. “Liderar o crescimento industrial do país é um resultado importante para o Espírito Santo e demonstra a força de setores estratégicos da nossa economia. O desafio agora é ampliar esses resultados, atrair novos investimentos e fazer com que esse crescimento se espalhe por todo o setor produtivo”, disse.

E acrescentou: “O avanço da indústria de transformação é especialmente relevante porque significa agregar valor ao que produzimos, diversificar a atividade industrial e gerar mais riqueza, empregos qualificados e oportunidades para os capixabas”, destaca Baraona.

O motor do salto: petróleo, gás e minério disparam 26,5%

O grande propulsor do desempenho capixaba foi a indústria extrativa, que acumulou alta de 26,5% até agosto. A extração de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro impulsionou os índices em alto-mar e em terra.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP):

  • Petróleo: A produção média atingiu 252,9 mil barris por dia (janeiro a agosto de 2026), um avanço de 40,4% em relação ao mesmo período de 2025.

  • Gás Natural: A extração média alcançou 7,2 milhões de m³ por dia, disparando 57,6% no comparativo anual.

Operação Offshore e o Impacto dos Campos de Petróleo

A produção em alto-mar (offshore) cresceu 58,2%, sustentada por ativos estratégicos na bacia capixaba:

  • FPSO Maria Quitéria: Operou com média de 68,6 mil barris/dia (68,6% de sua capacidade instalada de 100 mil barris) e produziu 2,7 milhões de m³/dia de gás natural (54,9% da capacidade total de 5 milhões m³).

  • Campo de Jubarte: Registrou alta de 53,6% na produção.

  • Campo de Wahoo (PRIO): Anotou média de 29,8 mil barris/dia entre março e agosto, com avanço de 20,6% no acumulado do ano.

Em terra (onshore), a produção industrial manteve ritmo positivo, com alta de 11,1% no mesmo período.

Indústria de Transformação Cresce 4% com Apoio da Metalurgia

Além do setor extrativo, a indústria de transformação avançou 4% no acumulado de janeiro a agosto de 2026. A metalurgia (+2%) e os produtos de minerais não metálicos (+1,6%) puxaram a alta.

O desempenho da metalurgia foi impulsionado pelo mercado externo. As exportações capixabas de produtos siderúrgicos atingiram US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões) nos primeiros oito meses do ano — alta de 21,6% em relação a 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

“O movimento reflete, entre outros fatores, o redirecionamento de vendas para mercados europeus, como França, Alemanha, Polônia, Espanha, Holanda e Itália”, explica Marília Silva, economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório Findes.

Queda na Celulose: Entenda os Desafios do Setor

Nem todos os segmentos fecharam o período em alta. A produção de alimentos recuou 2,9%, enquanto o setor de celulose, papel e produtos de papel teve queda de 5,7%.

Conforme detalha Marília Silva, o resultado do segmento de celulose reflete um cenário internacional adverso e ajustes operacionais internos:

  1. Cenário Global: Redução da demanda no mercado chinês, gargalos nos custos logísticos e incertezas econômicas mundiais.

  2. Corte na Produção: A Suzano já havia anunciado, em agosto de 2025, uma redução planejada de 3,5% na produção para o ciclo de 12 meses.

  3. Manutenção Programada: No terceiro trimestre de 2026, a Suzano realizou uma parada de manutenção na Linha C de sua fábrica em Aracruz (ES) — a maior da planta, com capacidade anual de 920 mil toneladas (superior às linhas A e B, com 590 mil e 830 mil toneladas, respectivamente).

Apesar dos gargalos no setor de celulose, o ritmo forte do petróleo, gás e metalurgia garantiu a posição de liderança do Espírito Santo no cenário nacional.

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