Parar de fumar não apaga todos os danos causados pelo cigarro. Algumas lesões permanecem, como ocorre no enfisema pulmonar, doença que afeta o jornalista Pedro Bial, de 68 anos. A condição destrói estruturas responsáveis pelas trocas gasosas nos pulmões, mas tem tratamento para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
A pneumologista Jéssica Polese explica que o enfisema atinge os alvéolos, pequenas estruturas responsáveis pela passagem do oxigênio para o sangue e pela eliminação do gás carbônico. Com a destruição dessas estruturas, os pulmões perdem parte da capacidade de realizar as trocas gasosas.
“Quando falamos em enfisema, estamos falando de uma lesão que não pode ser desfeita. Mas isso não significa que não há o que fazer. O tratamento e a interrupção do tabagismo são fundamentais para controlar a doença e preservar a capacidade respiratória que a pessoa ainda tem”, explica.
O enfisema pode fazer parte da doença pulmonar obstrutiva crônica, conhecida como DPOC, que dificulta de forma persistente a passagem do ar pelas vias respiratórias. O tabagismo é o principal fator de risco, e os sintomas podem surgir aos poucos, aumentando em frequência e intensidade ao longo do tempo.
Essa evolução gradual pode fazer com que mudanças na respiração sejam incorporadas à rotina sem investigação. A pessoa diminui o ritmo da caminhada, evita escadas ou deixa de realizar atividades que exigem mais esforço.
“Nem sempre a pessoa percebe de imediato o quanto a respiração mudou. Ela pode adaptar a rotina para não sentir falta de ar e atribuir essa dificuldade apenas à idade ou ao cansaço. Quem fuma ou já fumou precisa prestar atenção a esses sinais e contar seu histórico ao médico”, afirma Jéssica.
Tosse persistente e falta de ar merecem avaliação
Falta de ar, tosse persistente e chiado no peito estão entre os sintomas da DPOC. A avaliação considera o histórico do paciente e inclui a espirometria, exame que mede o fluxo de ar e ajuda a identificar a obstrução das vias respiratórias.
“Não é preciso esperar a falta de ar impedir uma caminhada ou atrapalhar tarefas simples para procurar atendimento. Tosse frequente e dificuldade para respirar merecem investigação, inclusive entre pessoas que abandonaram o cigarro há anos”, destaca a pneumologista.
O tratamento é definido conforme os sintomas e as necessidades de cada paciente. Pode incluir medicamentos inalatórios e reabilitação pulmonar, com o objetivo de melhorar a tolerância aos esforços, reduzir as crises e proporcionar mais qualidade de vida.
Segundo Jéssica, saber que algumas lesões são permanentes não deve desestimular quem pretende parar de fumar.
“Abandonar o cigarro continua fazendo diferença mesmo quando já existe comprometimento dos pulmões. A pessoa não deve pensar que o dano já aconteceu e que, por isso, tanto faz continuar fumando. Interromper essa exposição é uma parte essencial do cuidado”, afirma.
Para quem precisa de ajuda, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para o tabagismo, com apoio comportamental e medicamentos quando indicados. A unidade básica de saúde pode orientar sobre o acesso ao atendimento.
“A dependência de nicotina precisa ser tratada. Uma tentativa que não deu certo não significa que a pessoa não vai conseguir. Buscar acompanhamento ajuda a enfrentar as dificuldades e a manter a decisão de parar”, destaca Jéssica.










