O grupo do governador do Estado, Ricardo Ferraço (MDB), junta os cacos depois de um primeiro turno no qual o candidato à reeleição quase perdeu o jogo na primeira perna para Lorenzo Pazolini (Republicanos).
A campanha de Ricardo teve muitos problemas. Entre eles, a concentração das decisões em apenas um núcleo, enquanto outras figuras fortes do grupo sequer encontravam espaço para falar.
Outro ponto de incômodo foi o direcionamento dos esforços, que virou motivo para troca de acusações. Entre aliados, há queixas de que as campanhas de Ricardo e Renato Casagrande (PSB) concentraram apoio em Emanuela Pedroso (PSB), que acabou eleita para a Câmara dos Deputados.
Também foi nítido o sumiço de aliados importantes da campanha, como Da Vitória (Progressistas), Gilson Daniel (Podemos) e Marcelo Santos (União Brasil). No governo, ficou o sentimento de abandono e de que compromissos foram deixados de lado. Do outro lado, esses mesmos players reclamavam que acordos firmados com eles não haviam sido cumpridos.
Para piorar, o grupo governista já tinha a dimensão do crescimento de candidatos do outro campo. Na disputa pelo Senado, por exemplo, Evair de Melo (Republicanos) avançou e quase terminou na primeira colocação.
Ricardo tem pouco tempo para virar o jogo. Publicamente, não houve mea-culpa pelos erros do primeiro turno. Internamente, porém, esse acerto de contas precisa acontecer.
O candidato também precisa dos votos do PT. O problema é que seu posicionamento incisivo contra o presidente Lula (PT) faz uma parcela do eleitorado mais à esquerda torcer o nariz diante da possibilidade de apoiá-lo.
Em uma situação crítica, volta a rondar o grupo o fantasma de 2014, quando Casagrande foi derrotado por Paulo Hartung, mesmo com a máquina na mão.
A sombra daquela eleição está novamente presente. E, se os cacos do primeiro turno não forem recolhidos rapidamente, pode ter impacto direto no desfecho da disputa.










