Ricardo destaca a virada em 2022 como fiadora da esperança para o segundo turno

Diante de um placar adverso no primeiro turno que abriu quase 230 mil votos de vantagem para Lorenzo Pazolini (Republicanos), a candidatura de Ricardo Ferraço (MDB) areeleição para o governo do Espírito Santo buscou no recente passado eleitoral do Estado a sua principal sustentação política e narrativa. Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (5) após a confirmação do resultado das urnas, o governador fixou o tom do segundo turno: a virada de 2022 como fiadora da esperança.

Para além de agradecer aos mais de 700 mil eleitores que apoiaram a chapa majoritária, Ferraço recorreu ao histórico do pleito de quatro anos atrás — quando a disputa pelo Palácio Anchieta entre Renato Casagrande (PSB) e Carlos Manato (PL) também foi estendida para a etapa decisiva — para sinalizar ao mercado político e à sua base aliada que a fatura eleitoral está longe de ser liquidada.

O trunfo da memória recente: o precedente que alimenta a reação

Ao responder sobre a margem de votos alcançada pela oposição na primeira fase, Ferraço desarmou o discurso de derrota imediata lembrando que a dinâmica de dois turnos obedece a regras, ritmos e humores próprios do eleitorado.

“Assim como aconteceu em 2022, nós tivemos um segundo turno e, nesse segundo turno, o que nós pretendemos é aprofundar o debate, aprofundar a capacidade, a competência, a coragem e a experiência de quem conhece o Espírito Santo”, afirmou o candidato.

A analogia com a eleição anterior serve como combustível tático para estancar qualquer movimento de debandada de prefeitos e deputados da coalizão governista. Entretanto, em 2022 havia o movimento “CasaNaro”, atrelando o nome de Casagrande ao do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao contrário de agora, uma vez que Ricardo não tem um apoio nacional e aposta na “Não nacionalização” do segundo turno.

Diagnóstico e reconfiguração: a “nacionalização” como explicação

Questionado sobre a diferença expressiva nas urnas e as projeções pré-eleitorais, o governador justificou que a curva ascendente do adversário na reta final esteve associada a uma contaminação ideológica externa.

Para Ferraço, o eleitorado capixaba foi impactado por uma “nacionalização” do processo de escolha na reta de chegada, o que acabou turvando a avaliação sobre as entregas de gestão local.

O emedebista garantiu que manterá a postura de neutralidade ideológica, recusando-se a transformar a eleição estadual em um palanque de disputa nacional. “A gente vai ficar fora da brigalhada, desse conflito político que não gera emprego, não gera oportunidade, não bota comida na mesa do povo”, pontuou.

O papel estratégico de Casagrande

Para fechar a conta matemática exigida no segundo turno — que envolve a busca pelos votos da terceira via e a redução dos índices de abstenção —, Ferraço confirmou que a articulação política será intensificada, tendo o ex-governador e senador eleito Renato Casagrande como peça-chave. Os dois já se reuniram nesta segunda-feira pós-pleito e a expectativa é que o primeiro ato da campanha seja grande e forte. “Será um ato forte, um ato grande, um ato que vai mostrar toda a potência e capacidade de mobilização nesse novo momento em que nós vamos debater com mais profundidade o Espírito Santo e o dia a dia das famílias capixabas”, garantiu.

Casagrande, citado pelo candidato como “um amigo, um irmão e um aliado”, será o encarregado de liderar as conversas e erguer pontes com diferentes forças políticas, especialmente os setores de esquerda e centro-esquerda do Estado.

Ao resumir a disposição da chapa composta ao lado do vice Camillo Neves (PP), Ferraço usou uma metáfora direta para responder sobre a capacidade de mobilização nesta nova largada: “Ricardo Ferraço e Camillo estão com o tanque cheio, abastecidos, para que a gente possa aprofundar esse debate”.

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