Há vitórias amargas e derrotas com sabor de projeto cumprido. O presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, encarnou com precisão o papel do estrategista partidário que entrega o resultado coletivo, mas deixa o próprio CPF pelo caminho. É o clássico “perder ganhando”: montou a arquitetura política que colocou Lorenzo Pazolini (Republicanos) na liderança do segundo turno para o governo do Estado, garantiu bancadas e senatório para o grupo, mas amargou a suplência na Câmara dos Deputados com 53.726 votos. Sem tempo para lamúrias, a ordem do dia no comitê republicano é “engolir o choro” e partir para a caça aos votos do segundo turno.
Para viabilizar a chapa majoritária, Musso precisou administrar o orçamento partidário, gerenciar os repasses dos candidatos e costurar a aliança tática com o Partido Liberal (PL). Porém, ao se desdobrar como fiador e coordenador geral da campanha de Pazolini pelo interior capixaba, sacrificou a própria intensidade de rua e acabou desidratado no quociente eleitoral da chapa proporcional.

O próprio dirigente não esconde a matemática pesada que adotou para a corrida eleitoral de 2026: “Me dediquei 90% para a candidatura de Pazolini e 10% à minha. Agora é conversar com os partidos, porque segundo turno é uma nova eleição. Até quarta-feira os partidos deverão definir como se portarão”.
A engenharia da vitória coletiva
Na contabilidade partidária, a gestão de Erick Musso à frente da legenda entrega saldo positivo. O Republicanos cravou marcos relevantes no tabuleiro capixaba:
Senado Federal: Elegeu Evair de Melo em uma dobradinha de forte apelo regional e conservador.
Câmara dos Deputados: Garantiu uma cadeira com o Coronel Ramalho.
Assembleia Legislativa: Manteve a representação com duas vagas de deputado estadual.
Palácio Anchieta: Chega ao segundo turno com Pazolini na condição de favorito e ditando o ritmo da disputa.
A grande incógnita: O PL e o fenômeno Lucas Polese
Com a abertura do segundo turno, a missão do dirigente partidário ganha contornos de urgência pragmática. A prioridade zero é a mobilização das forças de direita e centro-direita, a começar pelo Partido Liberal. Apesar de ter o partido na chapa, com a Pastora Eliane na vice-governadoria, a rejeição ao nome de Magno Malta e Maguinha – derrotada para o Senado – foi visto e, por isso, os liberais tiveram pouco espaço na campanha de 1º turno. Até que ponto isso será mantido?
Por outro lado, o PL traz para a mesa de negociação a maior sensação eleitoral do pleito capixaba: o deputado federal eleito Lucas Polese (PL), que atropelou as urnas e se tornou o candidato mais votado da história do Espírito Santo com mais de 419,7 mil votos. Garantir esse engajamento irrestrito de Polese e da militância liberal no segundo turno é o movimento que pode selar a fatura na Região Metropolitana e no interior.
Pontes no centro e fissuras na base governista

Se a coligação adversária exibe um leque extenso de siglas no mesmo espectro político do Republicanos, Erick Musso terá que sentar com cada dirigente estadual para costurar apoios pontuais. Nessa mesa, o alinhamento com o senador eleito Evair de Melo servirá como principal passaporte. As relações pessoais e políticas de Evair são consideradas sólidas com lideranças de peso recém-saídas das urnas com mandato federal, entre as quais:
Gilson Daniel (Presidente do Podemos);
Da Vitória (Presidente do Progressistas);
Marcelo Santos (Presidente do União Brasil).
Por fora, o Republicanos busca abrir brechas até em partidos do campo adversário. Um exemplo estratégico é o movimento em direção ao deputado estadual eleito Vitor Coelho (PSB), ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim. Antagonista histórico da família Ferraço no Sul do Estado, Coelho é visto como uma ponte viável para canalizar votos na região sem depender da orientação da executiva socialista.










