Às vésperas da abertura das urnas, o cenário político nacional recebeu uma dura provocação sobre o tom das campanhas eleitorais. Em pronunciamento divulgado em suas redes sociais o ex-governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PSD), manifestou indignação diante do que classificou como um “verdadeiro vazio de ideias e de propostas” na corrida para a Presidência da República e governos estaduais.
Atuando no pleito de 2026 estritamente como conselheiro político e articulador suprapartidário — e após oficializar no Espírito Santo o apoio ao deputado federal Evair de Melo (Republicanos) na disputa por uma vaga no Senado —, Hartung direcionou suas críticas à superficialidade com que temas vitais para o país vêm sendo abordados pelos postulantes aos cargos públicos.
O estopim do desabafo: a “última porta” fechada
O desabafo de Hartung ocorreu no mesmo dia em que a TV Globo anunciou o cancelamento do tradicional debate presencial entre os candidatos à Presidência da República. O cancelamento foi motivado por uma série de decisões judiciais proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que alteraram a dinâmica de participação e a estrutura de regras do confronto.
Para o ex-governador capixaba, o cancelamento do embate televisivo representou o fechamento da “última portinha” que restava ao eleitorado para exigir compromissos formais dos presidenciáveis.
“A campanha passou em branco. E passou em branco em relação aos desafios e também às oportunidades. A última portinha que nós Tínhamos ontem à noite era o tradicional debate da Globo com os candidatos a presidente da República. Até ele foi cancelado. Quer dizer, fechando aí uma oportunidade”, pontuou o político.
Hartung enumerou gargalos históricos que, segundo ele, foram postos de lado em nome de pautas secundárias:
Gargalos estruturais ignorados: Segurança pública, combate ao crime organizado, corrupção, acesso aos serviços de saúde e a adaptação do modelo educacional à revolução tecnológica.
Oportunidades globais desperdiçadas: O papel do Brasil no fornecimento global de alimentos, transição para energia limpa, atração de novos mercados industriais e aproveitamento do potencial mineral em meio às crises geopolíticas.
“Uma campanha que, na verdade, desfila por assuntos que são absolutamente laterais. É triste poder constatar uma situação como essa […] e a gente convivendo com esse vazio de ideias, de propostas, de projetos, de debate”, desabafou.










