A tradição cultural de Vila Velha ganha um novo impulso para garantir sua preservação no Espírito Santo. No dia 6 de outubro, o projeto “Bilros da Barra: Saber, Ensino e Sustento” inicia uma jornada de cinco meses de oficinas gratuitas de renda de bilro. A iniciativa vai capacitar 40 mulheres de todo o Estado, com foco especial em jovens e iniciantes que buscam aprender a arte secular do artesanato manual.
As aulas acontecem na sede do grupo Barra de Renda, localizada na Rua Vasco Coutinho, nº 292, no histórico bairro da Barra do Jucu.
Tradição secular, empreendedorismo e legado familiar
Realizado pela Associação das Rendeiras de Bilro do Estado do Espírito Santo (Grupo Barra de Renda) em parceria com o Museu Vivo da Barra do Jucu e com apoio do Ministério do Empreendedorismo, o projeto vai além do aprendizado técnico.
Segundo a coordenadora do Grupo Barra de Renda, Regina Ruschi, a programação contempla um ecossistema completo para a qualificação das artesãs:
“O projeto prevê um conjunto integrado de oficinas, ações de mobilização, comunicação, registros fotográficos e qualificação empreendedora, beneficiando diretamente artesãs e aprendizes da comunidade para fortalecer a tradição da renda de bilro no Espírito Santo.”
Para a instrutora do projeto e rendeira Mariza Gervázio Vieira — bisneta de Dona Bernardina Vieira, uma das parteiras e rendeiras mais icônicas da história da Barra do Jucu —, renovar o perfil das alunas é vital para que o ofício não desapareça.
“Serão as jovens rendeiras que, assim como eu, vão levar esse legado para o futuro e reconhecer essa herança cultural deixada por nossos antepassados. Este é um passo importante no resgate do ofício”, destaca Mariza.
11 anos de resgate cultural e projeção no design capixaba
A história do resgate da renda de bilro na Barra do Jucu completou 11 anos em 2026. O movimento começou em 2015 no Museu Vivo e evoluiu para a consolidação do Grupo Barra de Renda. Hoje, a rede envolve mais de 60 pessoas dedicadas não apenas ao trançado dos fios, mas também à confecção dos instrumentos tradicionais, como almofadas e bilros de madeira.
Para Ricardo Vereza, representante do Museu Vivo da Barra do Jucu, o impacto socioeconômico da iniciativa fortalece a identidade do território:
“É mais uma iniciativa de valorização da comunidade e de suas tradições. A renda de bilro feita aqui já é destaque pela beleza e qualidade, e agora ganha mais potência para contribuir com a autossustentação comunitária.”
A produção artesanal da Barra do Jucu já conquistou espaços de grande visibilidade, como a CASACOR, o projeto Brasil Original e a feira ArteSanto. Atualmente, as peças exclusivas e aplicadas da renda barrense também podem ser encontradas no Centro de Referência do Artesanato Capixaba, localizado no recém-restaurado Mercado da Capixaba, no Centro de Vitória.










