A irregularidade menstrual, as ondas de calor, as alterações no sono e as mudanças de humor estão entre os sintomas que podem surgir antes da menopausa. Essas manifestações fazem parte da perimenopausa, período de transição hormonal que pode começar anos antes da última menstruação e variar de uma mulher para outra.
De acordo com a ginecologista e obstetra Anna Bimbato, observar as mudanças no organismo é importante para que a mulher compreenda essa etapa e procure orientação médica quando necessário. “A menopausa é um processo natural, mas isso não significa que a mulher precise conviver com sintomas que prejudiquem sua qualidade de vida”, explica.
Um dos primeiros sinais que podem aparecer é a irregularidade menstrual. Durante a perimenopausa, os ciclos podem ficar mais curtos ou mais longos, enquanto o volume e a duração do sangramento também podem sofrer alterações. Isso ocorre em razão das mudanças na atividade dos ovários.
Outro sintoma bastante conhecido são as ondas de calor, também chamadas de fogachos. Elas podem surgir repentinamente, acompanhadas de suor e, em alguns casos, palpitações. Quando ocorrem durante a noite, podem provocar despertares e prejudicar a qualidade do sono.
A insônia e as alterações no padrão do sono também podem indicar a aproximação da menopausa. A mulher pode apresentar dificuldade para adormecer, acordar várias vezes durante a madrugada ou ter a sensação de que não descansou o suficiente.
As mudanças hormonais ainda podem estar relacionadas às oscilações de humor, como irritabilidade, ansiedade e alterações emocionais. O cansaço e a falta de energia também são queixas frequentes nessa fase e podem estar associados tanto às alterações hormonais quanto às noites mal dormidas.
Outro sinal que merece atenção são as dificuldades de concentração e os esquecimentos. Pequenos lapsos de memória podem se tornar mais frequentes durante a transição menopausal, especialmente quando estão associados à privação de sono e às oscilações hormonais.
As mudanças na vida sexual também podem fazer parte desse período. A redução da libido e o ressecamento vaginal estão entre as alterações relacionadas à queda dos níveis de estrogênio. O ressecamento pode provocar desconforto ou dor durante as relações sexuais, além de contribuir para o surgimento de sintomas urinários.
Por fim, dores articulares e musculares podem surgir durante a transição para a menopausa. Quando aparecem junto a outras alterações características do climatério, também merecem atenção e avaliação médica.
Quando procurar orientação médica
Apesar de serem manifestações comuns durante a transição menopausal, nem toda alteração no organismo está necessariamente relacionada à menopausa. Por isso, a avaliação individual é importante para identificar as possíveis causas dos sintomas e definir a necessidade de investigação ou tratamento.
“É importante não atribuir qualquer sintoma automaticamente à menopausa. A avaliação individual é fundamental para entender o que está acontecendo e definir se existe necessidade de investigação ou tratamento”, orienta Anna Bimbato.
A menopausa é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação, desde que a ausência do ciclo não tenha outra causa. O período de transição que antecede essa etapa pode durar alguns anos, com manifestações e intensidades diferentes para cada mulher.
O acompanhamento ginecológico permite esclarecer dúvidas, avaliar os sintomas e discutir alternativas para preservar a saúde e a qualidade de vida. Alterações no ciclo menstrual, no sono, no humor, na memória e na vida sexual não precisam ser encaradas como situações que a mulher deve simplesmente suportar.










