A eleição para o comando da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES) ainda está distante das urnas, mas os movimentos para a sucessão de 2027 já começaram. Depois da reaproximação entre os ex-aliados José Carlos Rizk Filho e Ben-Hur Farina, outro nome conhecido da advocacia capixaba começa a aparecer nas articulações: Alberto Nemer Neto.
Advogado com atuação em Direito do Trabalho Empresarial e integrante das duas gestões de Rizk Filho na OAB-ES, Nemer vem mantendo conversas com diferentes lideranças e é apontado nos bastidores como possível terceira via na disputa pela presidência da Seccional.
A movimentação chama atenção justamente pela origem política do advogado dentro da Ordem. Nemer esteve entre os nomes de confiança das administrações de Rizk e ocupou diferentes espaços na estrutura da entidade, passando pelo Tribunal de Ética e Disciplina, pela direção das comissões e pela Secretaria-Geral da OAB-ES.
Na eleição passada, inclusive, seu nome permaneceu diretamente associado à administração de Rizk. Documento oficial da própria OAB-ES referente a outubro de 2024 registra Alberto Nemer Neto como secretário-geral da Seccional.
Convite para encabeçar grupo
A apuração do ES Hoje indica que Nemer chegou a ser procurado por integrantes do grupo político do qual participou durante dois triênios para assumir papel de maior protagonismo na próxima disputa.
Entre as possibilidades apresentadas estava a de encabeçar uma chapa. Nemer, porém, não aceitou.
As conversas não terminaram ali.
Desde então, outras lideranças da advocacia passaram a procurar o ex-secretário-geral. A avaliação existente nesse grupo é de que sua experiência administrativa e o conhecimento da estrutura da Ordem poderiam sustentar a formação de uma candidatura independente dos principais grupos que hoje disputam influência na entidade.
Nemer ainda não se apresenta publicamente como candidato. Nos bastidores, entretanto, a construção de um grupo próprio já é tratada como uma possibilidade concreta para 2027.
Divergências sobre os rumos da Ordem

A eventual candidatura teria como discurso central a necessidade de recuperar a interlocução da OAB-ES com os próprios advogados e com instituições do sistema de Justiça.
Entre advogados que discutem a formação desse novo grupo há críticas à perda de protagonismo institucional da Seccional, à relação da entidade com outros Poderes e à capacidade de representar demandas cotidianas da categoria.
Também existe uma avaliação crítica sobre o processo vivido pela OAB-ES nos últimos anos. A leitura feita nesse núcleo é de que problemas administrativos já vinham se acumulando antes da atual gestão e se aprofundaram no mandato da presidente Erica Neves.
O grupo considera que a Ordem precisa recuperar credibilidade institucional, capacidade de interlocução e maior presença na defesa das demandas profissionais da advocacia.
Nemer não rompeu com Rizk
A movimentação, até agora, não representa um rompimento pessoal entre Alberto Nemer e José Carlos Rizk Filho.
O ponto de divergência estaria no futuro político da OAB-ES. Nemer não integra, neste momento, a construção para que Rizk volte a disputar o comando da Seccional e já teria recusado a possibilidade de integrar uma eventual composição liderada pelo ex-presidente.
É justamente aí que surge uma das incógnitas da eleição.
Rizk Filho e Ben-Hur Farina voltaram a conversar depois de três anos de afastamento. Os dois foram aliados históricos, romperam durante a gestão 2022-2024 e disputaram separadamente a eleição de novembro de 2024. Agora trabalham para aproximar novamente suas bases.
Na última eleição, Rizk recebeu 32,59% dos votos válidos e Ben-Hur, 14,3%. Erica Neves venceu a disputa com mais de 53%.
A simples soma dos antigos grupos, entretanto, poderá enfrentar uma variável que não existia em 2024: uma candidatura originada justamente no núcleo que governou a Ordem ao lado de Rizk.
Até o escritório liga Nemer a Rizk

Outro elemento torna a movimentação ainda mais peculiar: o advogado Alberto Nemer Neto integra o escritório Da Luz Rizk Nemer Advogados , juntamente com os advogados Bruno Da Luz e o irmão do ex-presidente da Ordem, Felipe Rizk.
A relação profissional reforça que, ao menos até aqui, a construção de uma eventual candidatura não pode ser classificada simplesmente como um rompimento entre os dois advogados.
Politicamente, porém, a presença de Nemer na disputa permitiria medir até que ponto a antiga base de Rizk permanece concentrada em torno do ex-presidente ou estaria disposta a apoiar uma renovação surgida dentro do próprio grupo.
Essa é uma das questões que deverão ser respondidas à medida que as articulações avancem.
OAB-ES chega à sucessão dividida
As movimentações ocorrem enquanto a atual administração enfrenta suas próprias divergências internas.
Erica Neves e Kelly Andrade chegaram juntas às eleições de novembro de 2024 e fizeram história ao assumirem, respectivamente, a presidência da OAB-ES e da Caixa de Assistência dos Advogados do Espírito Santo (CAAES). A aliança, entretanto, não atravessou intacta o mandato.
As duas romperam politicamente e o conflito tornou-se público em 2026, acrescentando uma nova divisão à estrutura política da advocacia capixaba.
Há também divergências entre a direção estadual e lideranças de subseções da Grande Vitória e do interior, ampliando o número de grupos que poderão participar das negociações para a sucessão.
Nesse ambiente, pelo menos três movimentos começam a ganhar forma: a atual gestão e seus aliados; a tentativa de reunificação das bases de Rizk Filho e Ben-Hur Farina; e uma possível terceira via articulada em torno de Alberto Nemer.
Ainda falta saber quais desses movimentos efetivamente chegarão às urnas. Mas a eleição de 2027 da OAB-ES já começou nos bastidores.










