O Plano de Incentivo à Aposentadoria e Desligamento Voluntário (PIADV) da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) já recebeu a adesão de mais de 200 empregados e pode chegar a quase 300 desligamentos. O programa, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Espírito Santo (Sindaema), reúne principalmente funcionários com 60 anos ou mais e que já atendem aos requisitos para aposentadoria pelo INSS.
A medida surge em meio a bastidores que apontam para uma busca por contenção de custos para equilibrar as contas da estatal. Embora os desligamentos estejam previstos para ocorrer ao longo de 2026, a estimativa do impacto financeiro das indenizações — apurada de forma reservada com fontes da diretoria — indica que o empenho das despesas deve ser registrado no exercício atual, podendo comprometer o resultado da companhia em cerca de R$ 80 milhões.
Negociação e benefícios
O Sindaema, que participa das negociações coletivas da categoria e apresentou à Cesan a pauta do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027, afirma que atou nas negociações para garantir melhores condições aos optantes.
Entre os benefícios pactuados estão uma indenização equivalente a dois anos de mensalidades do plano de saúde, o pagamento correspondente a um ano de auxílio-alimentação e indenização de 40% sobre o FGTS. A adesão é voluntária, permitindo que o trabalhador retire o nome do programa até a véspera do desligamento oficial.
Pressão sobre o quadro e risco operacional
Com a perspectiva de saída de quase 300 empregados, o sindicato defende a realização imediata de um novo concurso público para recompor o quadro. A principal preocupação é evitar a sobrecarga dos profissionais remanescentes e preservar a capacidade operacional da companhia, sobretudo entre os operadores de estações de tratamento de água — atividade essencial para a prestação dos serviços.
A realização de novo certame e a manutenção de sistemas estratégicos sob gestão pública já constam como reivindicação na pauta do ACT 2026/2027 entregue à diretoria.
Perguntas sem resposta e o custo real do programa
Apesar de o PIADV visar uma economia futura na folha de pagamento, o impacto financeiro de curto prazo e os detalhes contábeis seguem sem transparência pública. O que a reportagem apurou que a situação financeira na Cesan está comprometida pelo voluma de obras anunciadas e iniciadas. O plano foi uma das ações para mitigar a questão, mas deverá levar à Companhia a comprometer o lucro líquido de 2026 em aproximadamente R$ 80 milhões.
O sindicato afirma não ter tido acesso às informações gerenciais sobre o valor total provisionado, o montante exato do desembolso, nem sobre quantos funcionários a empresa pretende efetivamente reposicionar ou substituir. Tampouco foram divulgados estudos internos que relacionem o custo inicial das indenizações com o tempo necessário para que a redução da folha compense o investimento do programa.
A reportagem procurou a Cesan para questionar a situação financeira da empresa, o custo estimado total do PIADV, o impacto no caixa e no lucro apurado, além das medidas planejadas para a reposição de pessoal. Até o fechamento desta edição, a companhia não havia se manifestado. O espaço permanece aberto.










