O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julga, às 13h30 desta segunda-feira (21), o dissídio coletivo dos trabalhadores dos Correios, em greve nacional desde o dia 10 de setembro.
A estatal acionou a Justiça no dia seguinte ao início da paralisação e pediu que a greve seja considerada abusiva, além da manutenção dos serviços. O tribunal deverá analisar a legalidade do movimento e as reivindicações apresentadas pela categoria.
O principal ponto de impasse entre trabalhadores e empresa é o plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes.
Por decisão liminar, a Justiça já determinou que os trabalhadores mantenham pelo menos 80% do efetivo em atividade em cada unidade ou estabelecimento dos Correios durante a greve.
Apesar da determinação, consumidores e pequenos vendedores relatam atrasos na entrega de encomendas, falta de atualização no rastreamento e dificuldades em pedidos de reembolso de frete.
Segundo Douglas Melo, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo (Sintect-SP) e da Federação dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect), a categoria pediu a retomada das negociações.
De acordo com o sindicalista, a principal reivindicação é a manutenção do modelo atual do plano de saúde.
Atualmente, os Correios atuam como mantenedores do benefício, assumindo parte da responsabilidade pelo custeio e pelos riscos financeiros. A proposta da empresa seria passar a atuar apenas como patrocinadora, o que, segundo representantes dos trabalhadores, poderia aumentar os descontos nos salários.
O plano de saúde já esteve no centro das negociações durante a greve realizada no fim de 2025. Na ocasião, o TST manteve direitos previstos no acordo coletivo, mas os Correios recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em janeiro deste ano, o STF suspendeu provisoriamente quatro cláusulas do acordo, entre elas a relacionada ao plano de saúde. O julgamento definitivo dessas cláusulas também está em andamento, com previsão de conclusão até o dia 25.
Crise financeira
A greve acontece em meio à crise financeira dos Correios. A empresa registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre e pediu garantia do Tesouro Nacional para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões junto a bancos privados.
O crédito faz parte do plano de reestruturação financeira da estatal. Em dezembro de 2025, os Correios já haviam contratado um empréstimo de R$ 12 bilhões.
A empresa também abriu, no fim de agosto, um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV) voltado a funcionários de unidades incluídas no processo de reestruturação, que prevê o fechamento de agências.
Com informações de São Paulo, FolhaPress – Guilherme Matos










