Findes: falta de mão de obra desafia indústria do Espírito Santo em ciclo de expansão

O avanço da indústria do Espírito Santo começa a encontrar um limite no mercado de trabalho: a disponibilidade de mão de obra. Com mais de 20 mil empregos formais gerados no ano e uma taxa de desocupação de 2,3% em junho, menor nível da série histórica estadual, empresas enfrentam dificuldade para encontrar trabalhadores.

O cenário ganha relevância diante do volume de investimentos projetado para os próximos anos. Segundo a economista-chefe da Findes, Marília Silva, os investimentos mapeados pelo Observatório da Indústria chegam a cerca de R$ 100 bilhões para os próximos cinco anos e devem ampliar a demanda por trabalhadores.

“Com essa taxa de desemprego baixa, você tem pouca disponibilidade de mão de obra”, afirmou Marília. Segundo ela, um dos desafios está em fazer com que o setor formal consiga atrair trabalhadores que hoje estão na informalidade.

A indústria é justamente o segmento com menor informalidade no Estado, com índice de 22%, segundo os dados apresentados no evento. Para Marília, ampliar a participação de trabalhadores em atividades formais e de maior agregação de valor é uma das questões que entram na agenda de desenvolvimento econômico.

O problema ocorre em um momento de forte expansão da indústria extrativa. O setor cresceu 36,6% no primeiro semestre, impulsionado principalmente pela produção de petróleo e gás.

A produção média de petróleo alcançou 244,8 mil barris por dia, alta de 46,4% em relação ao primeiro semestre de 2025. A produção de gás natural chegou a 6,95 milhões de metros cúbicos por dia, crescimento de 69%.

Os resultados foram influenciados pelo aumento da capacidade produtiva do navio-plataforma Maria Quitéria, no campo de Jubarte. No conjunto, a indústria estadual cresceu 12,4% no primeiro semestre, enquanto a atividade de energia e saneamento avançou 7,9%.

O desempenho da indústria de transformação, entretanto, foi diferente. O segmento recuou 2% no semestre, com quedas na fabricação de produtos alimentícios e de papel e celulose.

Marília avalia que o desenvolvimento industrial também tem efeitos sobre outras atividades econômicas. “O desenvolvimento do setor industrial, ele, por consequência, desenvolve o território”, disse.

 

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