Em meio às crescentes mudanças climáticas e à necessidade de enfrentamento dos períodos de estiagem, o município de Aracruz intensificou as ações de conservação dos recursos hídricos para garantir água no campo e na cidade. A estratégia combina a implementação de microestruturas de infiltração a grandes obras de reservação, criando uma rede integrada de proteção hídrica para o setor produtivo e a população.
Atualmente, o município já conta com 74 barraginhas e 71 cochinhos. Essas estruturas captam a água das chuvas, reduzem a força das enxurradas e estimulam a infiltração no solo, combatendo a erosão. A medida ganha caráter de urgência diante dos alertas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que indicam alta probabilidade de permanência do fenômeno El Niño no país.
O que é e como funciona uma barraginha?
A barraginha é uma pequena bacia escavada no terreno desenhada para reter temporariamente a água da chuva que corre pela superfície. Em vez de deixar que o fluxo cause erosão e carregue a camada fértil do solo, a estrutura desacelera a enxurrada e favorece a infiltração lenta da água no solo.
Objetivo principal: Mais do que estocar água na superfície, o foco é abastecer o lençol freático e garantir a recarga contínua de nascentes na região.
Histórico da iniciativa no município
Início do projeto: Criado em maio de 2021 pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam) e pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), utilizando tecnologia da Embrapa.
Primeira unidade: Implantada em uma propriedade rural da comunidade de Santa Maria.
Investimento em maquinário: Em 2021, a Semam adquiriu uma retroescavadeira própria no valor de R$ 394,6 mil para acelerar as escavações.
Reconhecimento: Em 2025, o projeto “Barraginhas: um instrumento na recuperação do manguezal da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Municipal Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim” venceu o 1º lugar na categoria Meio Ambiente do 8º Prêmio de Sustentabilidade Farol do Bem.
Benefícios para a produção rural e metas até 2029
No meio rural, a retenção hídrica impacta diretamente a capacidade produtiva de lavouras, pastagens, hortas, pomares e criação de animais. Por depender do tipo de solo e do volume pluviométrico de cada propriedade, a barraginha atua disponibilizando a água gradualmente para o ambiente.
Para além das barraginhas, a prefeitura estruturou um plano para construção de pequenas barragens rurais gerido pela Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Pesca (Semap):
| Estrutura / Projeto | Localização / Meta | Capacidade / Detalhes |
| Barragem Rural entregue (2025) | Comunidade Três Irmãos de Jequitibá (Guaraná) | +30 mil m³ de água armazenada |
| Plano de Barragens (2026–2029) | Zonas rurais do município | Construção de 70 pequenas barragens |
| Projeto Águas da Vida | Cobertura municipal | Recuperação de 200 nascentes até 2028 |
Cronograma do Plano de Barragens: 15 unidades em 2026, 15 em 2027, 20 em 2028 e 20 em 2029.
Estruturas de grande porte: a Barragem do Piraquê-Açu
Enquanto as barraginhas atuam localmente na microbacia, a infraestrutura municipal conta com obras de grande alcance. Em junho de 2026, foi inaugurada a Barragem do Piraquê-Açu, um investimento de aproximadamente R$ 31 milhões.
A represa tem capacidade para armazenar 1 milhão de metros cúbicos de água, oferecendo suporte ao abastecimento, à irrigação e à dessedentação de animais durante estios severos.
O que dizem as autoridades locais
“Cuidar da água é cuidar do futuro de Aracruz. As barraginhas são uma tecnologia simples, mas estratégica: reduzem a força das enxurradas, combatem a erosão e fazem com que a água da chuva permaneça no solo para recarregar as nascentes. Investir em conservação é garantir a sustentabilidade e a qualidade de vida das próximas gerações”, Aladim Cerqueira, Secretário Municipal de Meio Ambiente (Semam)
“Segurança hídrica é segurança para produzir. Quando implantamos barragens ou barraginhas, oferecemos condições para o produtor rural planejar a safra e enfrentar os períodos de seca. Cada nova estrutura de reservação fortalece a agricultura e antecipa os desafios climáticos”, Almir Vianna, Secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca (SEMAP)










