Se em análises anteriores comentávamos sobre a importância do interior nas eleições deste ano para o governo do Estado, desta vez, as atenções e os caminhos naturais da disputa revelam que o fiel da balança estará na Grande Vitória.
Pesquisas de intenção de voto registradas e levantamentos internos apontam para uma realidade que se encontra: Ricardo Ferraço (MDB), que busca a reeleição, predomina no interior. Porém, quando o recorte considera os quatro maiores municípios da região metropolitana (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica), o cenário se inverte, e o ex-prefeito da Capital Lorenzo Pazolini (Republicanos) aparece à frente.
Não é por acaso que, nos últimos dias, vêm surgindo cada vez mais petardos do próprio Ricardo e de aliados da Grande Vitória, como o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB). A vantagem que o emedebista mantém sobre o republicano no cenário geral ainda não pode ser considerada confortável o suficiente para ignorar o desempenho do adversário na região.
Além disso, o Espírito Santo e, principalmente, a Grande Vitória concentram uma parcela significativa de eleitores indecisos, fenômeno que também se reflete na disputa presidencial, conforme evidenciou a última edição da revista Veja.
Dessa forma, a Grande Vitória apresenta desafios diferentes para cada candidato.
Para Ricardo, avançar na região significa abrir espaço para solidificar sua liderança estadual e, ao mesmo tempo, impedir que o desempenho de Pazolini se fortaleça a ponto de começar a contaminar o interior, justamente onde hoje está uma das principais vantagens do governador.
Já para Pazolini, manter o domínio no principal centro econômico e populacional do Espírito Santo é sinônimo de chegar fortalecido ao segundo turno e, ainda, pressionar um adversário que tem a seu favor o comando da máquina estadual e o apoio maciço de prefeitos espalhados pelo Estado.
É também por isso que as agendas dos candidatos no interior têm ficado mais concentradas nos fins de semana. Durante os dias úteis, a batalha tende a se intensificar justamente onde está a maior concentração de eleitores e onde ainda existe espaço para movimentação do cenário.
No fim das contas, a matemática começa a ficar mais simples. Ricardo precisa diminuir o terreno de Pazolini na Grande Vitória sem perder a larga vantagem construída no interior. Pazolini, por sua vez, precisa transformar sua força metropolitana em uma diferença grande o suficiente para compensar a superioridade do adversário fora dela.
Quem conseguir atravessar essa fronteira estará muito mais perto do Palácio Anchieta.










