Quatro pessoas foram presas temporariamente nesta sexta-feira (11) durante a Operação “Bacharéis do Crime”, deflagrada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de aplicar golpes usando indevidamente nomes, fotografias e informações de advogados.
Três mandados de prisão foram cumpridos na Serra. O quarto foi executado em uma unidade prisional da Grande Vitória, onde um detento recebeu um novo mandado de prisão.
A ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Norte (Gaeco-Norte), em conjunto com a Promotoria de Justiça Criminal de Linhares e apoio da Assessoria Militar do MPES.
O caso tramita sob sigilo judicial.
Golpe usava perfis falsos de advogados
Segundo a investigação, os suspeitos criavam perfis falsos e utilizavam nomes, fotografias e imagens de escritórios de advocacia para dar aparência de legitimidade às abordagens.
Os contatos eram feitos principalmente pelo WhatsApp. Os investigados se apresentavam como advogados ou funcionários de escritórios e informavam às vítimas que elas haviam vencido uma ação judicial ou possuíam valores a receber.
Em seguida, eram cobradas supostas taxas, custas processuais ou despesas administrativas, geralmente por meio de transferências via Pix.
Ainda de acordo com o MPES, os suspeitos criavam um senso de urgência para convencer as vítimas a realizar os pagamentos rapidamente.
Investigação identificou 42 linhas telefônicas
As diligências identificaram 42 linhas telefônicas, 13 endereços de e-mail e diversas chaves Pix relacionadas aos investigados.
O MPES também apura o compartilhamento de linhas telefônicas e contas bancárias entre os suspeitos, que, segundo a investigação, mantinham vínculos familiares e afetivos.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão para recolher celulares, computadores, documentos, registros financeiros e outros materiais que possam ajudar a identificar a participação de cada investigado e possíveis novos envolvidos.
Foto de criança foi usada em falso pedido de doação
Em outro episódio investigado, os suspeitos teriam criado um perfil falso em nome de um advogado e utilizado, sem autorização, a fotografia do filho dele.
No perfil, foi divulgada a informação falsa de que a criança estaria com leucemia, acompanhada de pedidos de doações para um suposto tratamento médico.
O advogado informou ao Ministério Público que o filho nunca teve a doença.
O MPES reforçou que os advogados cujos nomes e imagens foram utilizados são considerados vítimas das fraudes, assim como os clientes abordados pelos suspeitos.
O nome “Bacharéis do Crime” faz referência à suspeita de que os integrantes do grupo se passavam por profissionais da advocacia para aplicar os golpes.










