A corrida de rua se consolidou como um dos esportes que mais crescem no Brasil e conquistou de vez os capixabas. Levantamento oficial da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (ABRACEO) indica que o país passou de 2.827 provas em 2024 para 5.241 eventos em 2025, um aumento de 85%.
Em Vitória, basta uma caminhada pela Orla de Camburi, Curva da Jurema, Enseada do Suá, a nova orla de Pontal de Camburi ou outras áreas da cidade para encontrar diversas pessoas treinando diariamente, seja em busca de qualidade de vida, condicionamento físico ou preparação para provas de longa distância.
Dados da Ticket Sports, plataforma de inscrições para eventos esportivos, mostram que a corrida foi o esporte que mais cresceu no país em 2025, com aumento superior a 30% no número de participantes em provas de rua. O Espírito Santo também vive esse momento, com um calendário cada vez maior de corridas e eventos que atraem milhares de atletas amadores e profissionais. São provas quase que todo final de semana na capital.
Cuidado com lesões
Mas, junto com o aumento de corredores, cresce também o número de lesões provocadas por excesso de treino, falta de preparo físico ou sobrecarga nas articulações.
Para o ortopedista especialista em Cirurgia do Joelho – do Instituto Santa Mônica de Ortopedia e Traumatologia (ISMOT) – Doutor Felipe Antônio Ruy, a corrida é uma das atividades físicas mais completas para a saúde, mas exige que o corpo seja preparado para suportar o impacto repetitivo da modalidade. “Correr faz muito bem para o coração, para o condicionamento físico e para a saúde mental, mas é uma atividade de impacto. Quando a pessoa começa a correr ou aumenta a intensidade dos treinos sem preparo adequado, joelhos, tornozelos e toda a musculatura dos membros inferiores acabam sofrendo uma sobrecarga importante”, explica.
Pequenos sinais
Segundo o especialista, as dores mais comuns entre corredores envolvem a parte da frente do joelho, tendinites, fascite plantar, inflamações no tendão de Aquiles e entorses de tornozelo. Em muitos casos, elas surgem de forma gradual e são ignoradas durante os treinos. “Nem toda dor faz parte da adaptação do treino. Quando ela persiste por alguns dias, aumenta durante a corrida ou vem acompanhada de inchaço, é um sinal de alerta e precisa ser investigada”, destaca o médico.
Fortalecimento é parte do treinamento
O risco é ainda maior entre iniciantes, pois os corredores nos primeiros meses de prática apresentam maior probabilidade de desenvolver lesões justamente por aumentar distância, velocidade ou frequência dos treinos muito rapidamente.
Para proteger as articulações, o ortopedista reforça que o fortalecimento muscular deve fazer parte da rotina de quem corre, e não apenas de atletas profissionais. “Fortalecer a musculatura reduz a sobrecarga sobre as articulações. O fortalecimento não é um complemento do treino, ele faz parte da prevenção de lesões”, diz.
Quadríceps, glúteos, panturrilhas e a musculatura do abdômen e da lombar — conhecida como core — ajudam a estabilizar joelhos e tornozelos e absorvem parte do impacto da corrida. “Também existem terapias injetáveis que ajudam nesse controle, e muitas vezes na prevenção das dores articulares, como por exemplo, a infiltração de ácido hialurônico no joelho”, explica o médico.
Além disso, Felipe Antônio Ruy recomenda respeitar os períodos de descanso, manter boa hidratação, alimentação adequada e utilizar um tênis compatível com o tipo de pisada e o volume de treinos. “O objetivo é que a corrida seja um hábito de longo prazo. Com orientação, fortalecimento e respeito aos limites do corpo, é possível aproveitar todos os benefícios do esporte com muito mais segurança e evitar que uma lesão interrompa essa rotina”, finaliza.










