Projeto sobre alfabetização provoca bate-boca na Câmara de Vitória

O que deveria ser mais uma reunião da Comissão de Educação da Câmara de Vitória terminou em bate-boca entre vereadores durante a discussão de um projeto de autoria de Davi Esmael, na tarde desta terça-feira (25). A proposta estabelece que estudantes da rede pública municipal estejam alfabetizados ao final do primeiro ano do ensino fundamental.

O debate começou com questionamentos do vereador Maurício Leite ao projeto e avançou para a tribuna da Câmara. Os vereadores e também professores Ana Paula Rocha e Professor Jocelino fizeram críticas à proposta e ao autor.

Davi Esmael afirmou que o projeto havia passado pela Comissão de Justiça e pediu respeito ao trabalho parlamentar. “Eu apresentei o projeto que passou pela Comissão de Justiça, como a norma norteadora da educação de Vitória, que é alunos do primeiro ano do ensino fundamental, ao final, estarem todos lendo. Se discordam, é só votarem não. Se querem discutir a matéria, é direito. Agora, por favor, respeitem o meu trabalho de vereador”, disse.

Maurício Leite questionou a proposta e defendeu que a alfabetização também deve envolver outras habilidades. “Eu quero que essa criança saia da escola sabendo ler e escrever. E saber ler e escrever é saber fazer conta de multiplicar, dividir e somar. Saber ler é saber interpretar”, afirmou.

Projeto sobre alfabetização provoca bate-boca na Câmara de Vitória
Foto: Reprodução CMTV

Professor Jocelino também criticou o projeto e disse que Davi Esmael estaria tratando de um tema sem base técnica. “Davi quer se meter em tudo e se mete errado”. O parlamentar também citou o Plano Nacional de Educação e defendeu que existem critérios técnicos para a alfabetização. “Você quer corroborar com a gestão da cidade, com a ‘pedagogia da maquiagem’. O senhor não está preocupado com as crianças”, declarou.

Já Ana Paula Rocha afirmou que a aprovação de um projeto pela Comissão de Justiça não significa, necessariamente, que a proposta será mantida sem questionamentos. “Passar pela Comissão de Justiça ultimamente não tem sido muita coisa. Porque vários dos projetos que têm passado na Comissão de Justiça têm sido devolvidos inclusive pela Procuradoria da Prefeitura”, disse.

Sobre o projeto de Davi, a vereadora defendeu que crianças possuem ritmos diferentes de aprendizagem. “Não dá pra gente colocar essa régua que toda criança deve aprender a ser alfabetizada até o primeiro ano. Simplesmente porque a educação reconhece que as crianças têm processos diferentes, ritmos diferentes de aprendizagem”.

Na sequência, Davi Esmael respondeu às críticas na tribuna e afirmou que pretende continuar atuando na área da educação. “Eu vou me meter na educação sim, vou me meter na educação para fiscalizá-la e assegurar que é a escola que ensina, mas é a família que educa”, afirmou em clara resposta ao Jocelino.

O vereador disse ainda que pretende defender o direito de aprendizagem e a alfabetização no primeiro ano. “Se ela não estiver apta a ler, ela não pode passar de ano, precisa ser fomentado ensino naquela criança para que ela ao final do primeiro ano consiga ler”, declarou.

Davi também afirmou que tem defendido uma escola sem doutrinação e disse que pretende atuar para que professores não se excedam no exercício de suas atividades. O debate continuou entre os parlamentares. O vereador Luiz Emanuel iniciou uma fala dirigida a Maurício Leite, mas a discussão se intensificou durante a participação de Ana Paula Rocha, que estava à mesa. O clima de embate foi escalonado e a transmissão da reunião da Comissão de Educação foi encerrada após o aumento da tensão entre os vereadores. O projeto discutido recebeu parecer pela rejeição da matéria, apresentado pelo relator, Professor Jocelino.

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