Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 12 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE). Como dirigente empresarial, representou o Brasil em eventos internacionais. É presidente da Escola de Associativismo. Avô de Davi e Elisa.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

O Brasil é o “país do futuro”? O que precisamos fazer para chegar lá?

A expressão “Brasil, país do futuro” ganhou projeção com Stefan Zweig, em 1941. Mais de oito décadas depois, ainda a repetimos, às vezes com esperança, às vezes com ironia.

Temos razões para acreditar em nosso potencial: mais de 213 milhões de habitantes, 8,5 milhões de km², recursos naturais, agricultura competitiva, indústria diversificada e uma das maiores economias do mundo. Entre 1950 e 1980, o PIB cresceu, em média, 7,4% ao ano. Depois, perdemos a continuidade desse ritmo.

Seria simplista atribuir nossas dificuldades aos governos recentes. Muitos problemas atravessam décadas, partidos e ideologias. A pergunta não é se uma solução é “de direita” ou “de esquerda”, mas se funciona e melhora a vida das pessoas.

Como cidadão, empreendedor e dirigente empresarial, vejo 15 desafios principais:

  1. A polarização ajuda o Brasil?
    Divergências fazem parte da democracia, mas precisamos de consensos e de um projeto de longo prazo: equilíbrio fiscal, educação, segurança jurídica e produtividade.
  2. O Estado brasileiro é eficiente?
    O Estado é indispensável em áreas essenciais, mas deve rever estruturas e programas que consomem recursos sem entregar benefícios e serviços adequados.
  3. Pagamos impostos demais?
    Nossa carga tributária é elevada para o nível de renda, o sistema continua complexo e precisamos simplificar. Reduzir e melhorar o gasto público.
  4. Por que nossos juros são tão altos?
    Juros elevados encarecem dívidas e tornam aplicações financeiras mais atraentes do que investir e empreender. Além disso, amplia o déficit do país.
  5. Estimulamos quem quer empreender?
    Temos muitos empreendedores, mas existem muitos obstáculos. O desafio é ajudá-los a sobreviver, crescer, inovar e gerar empregos.
  6. Nossa educação prepara para o futuro?
    Sem educação básica de qualidade não há país desenvolvido. Precisamos qualificar professores, ampliar o ensino técnico e medir resultados.
  7. Como reduzir burocracia e corrupção?
    Leis simples, processos digitais, transparência e fiscalização reduzem custos e oportunidades para práticas indevidas.
  8. Estamos endividados demais?
    Famílias e empresas endividadas consomem e investem menos. Educação financeira, responsabilidade fiscal e crédito competitivo são essenciais.
  9. Os benefícios sociais criam oportunidades?
    São necessários para proteger os vulneráveis, mas devem também estimular qualificação, emprego, empreendedorismo e autonomia.
  10. Precisamos modernizar as relações de trabalho?
    É preciso equilibrar proteção ao trabalhador com regras mais simples para contratar e reduzir a informalidade.
  11. Como reduzir a violência?
    Inteligência, tecnologia, combate ao crime organizado, prevenção e oportunidades aos jovens precisam caminhar juntos.
  12. Nossa infraestrutura acompanha o país?
    Rodovias, ferrovias, portos, saneamento, energia e conectividade determinam produtividade. Concessões, PPPs e planejamento podem acelerar avanços.
  13. Como reduzir a desigualdade?
    Não empobrecendo quem prosperou, mas ampliando oportunidades com educação, saneamento, qualificação, emprego e empreendedorismo.
  14. Temos segurança jurídica?
    Leis claras, decisões previsíveis e uma Justiça mais rápida reduzem riscos e estimulam investimentos.
  15. Nossa saúde pública é suficiente?
    O SUS trouxe avanços, mas ainda precisamos reduzir diferenças regionais, filas e dificuldades de acesso, com melhor gestão e tecnologia.

Afinal, somos o país do futuro?

Talvez, desde que entendamos que futuro não é destino: é construção. Esses problemas não pertencem a um único partido ou governo. Precisamos avaliar políticas pelos resultados, e não pela ideologia.

O Brasil precisa produzir riqueza e ampliar oportunidades; ter empresas competitivas e trabalhadores valorizados; proteger quem necessita, criando caminhos para sua autonomia; ter um Estado eficiente, menor e um mercado com regras claras.

Temos todas as condições para nos tornar um país desenvolvido. Mas não basta confiar no futuro. O que cada um de nós pode fazer para ajudar o Brasil nessa trajetória?

Talvez valha lembrar o lema da bandeira do Espírito Santo: “Trabalha e Confia”, inspirado no pensamento atribuído a Santo Inácio de Loyola:

“Trabalha como se tudo dependesse de ti e confia como se tudo dependesse de Deus.”

Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 12 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE). Como dirigente empresarial, representou o Brasil em eventos internacionais. É presidente da Escola de Associativismo. Avô de Davi e Elisa.

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Comentários
  1. Lucas, seu artigo toca em um ponto que precisamos ter coragem de dizer em voz alta: o Brasil não está condenado ao fracasso. Está acomodado com ele.

    Há décadas ouvimos que somos “o país do futuro”. Mas que futuro é esse que nunca chega?

    Temos recursos, talento, mercado consumidor e gente disposta a trabalhar. O que não temos é a mesma eficiência para transformar tudo isso em prosperidade.

    E talvez seja hora de parar de procurar culpados exclusivamente na esquerda ou na direita. O problema brasileiro é maior: é um sistema que se acostumou a consumir mais do que entrega, arrecadar mais do que devolve e prometer mais do que realiza.

    Enquanto isso, quem empreende enfrenta burocracia. Quem trabalha paga uma conta pesada. Quem investe quer segurança. E quem deveria planejar o país muitas vezes está ocupado demais pensando na próxima eleição.

    O Brasil não precisa de salvadores. Precisa de instituições que funcionem, governantes que entreguem e uma sociedade que pare de aceitar o inaceitável como se fosse normal.

    E aqui está a pergunta que talvez incomode mais:

    Será que realmente queremos mudar o Brasil ou apenas queremos que o Brasil mude sem que precisemos mudar nada?

    Porque reclamar é fácil. Difícil é assumir responsabilidade.

    O futuro não está chegando. Estamos escolhendo, todos os dias, se vamos construí-lo ou continuar adiando-o.

    E talvez essa seja a pergunta que ninguém gosta de responder: quantas outras gerações ainda terão que ouvir que o Brasil é “o país do futuro”?

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