Após ter seu nome ventilado para disputar novamente o Governo do Espírito Santo ou uma vaga ao Senado e ficar fora da disputa eleitoral de 2026, o ex-governador Paulo Hartung fez um pronunciamento nesta terça-feira (25) em que traçou um balanço de sua trajetória à frente do Estado, mas fez um alerta contundente sobre os próximos desafios, ressaltando estar insatisfeito com o que vê sendo projetado para o futuro. Em tom de avaliação sincera, Hartung afirmou que, embora o governo anterior tenha conseguido “colocar o Estado de pé” após um período de crise, o momento atual exige ações concretas para garantir o desenvolvimento nos próximos anos.
“Quando eu olho a história do Espírito Santo, tem um lado positivo nesse trabalho que nós fizemos. Nós pegamos o Estado falido, literalmente falido. Dívida com servidores, dívida para todos os lados, máquina pública sucateada, crime organizado, corrupção, violência, e nós conseguimos colocar o Estado de pé”, afirmou.
O ex-governador destacou que sua gestão estruturou um planejamento de longo prazo batizado de “2025”, que reorganizou incentivos fiscais, atraiu novas cadeias produtivas — como a produção de café solúvel e a instalação de um estaleiro — e transformou o Espírito Santo em referência nacional em gestão financeira e capacidade de investimento com recursos próprios.
“Estado que devia todo mundo virou exemplo de finanças, de capacidade de investimento com recursos próprios. Olha que história bacana para um país que precisa de bons exemplos como o Brasil”, celebrou.
O alerta para o futuro

Apesar do balanço positivo, Hartung fez questão de destacar que o futuro não está garantido. Questionado se o Estado está preparado para os próximos anos, foi direto: “Eu acho que não. Eu sou sincero”.
O ex-governador apontou três preocupações principais:
- A produção de petróleo, que estava em evolução, hoje está em queda;
- Os incentivos fiscais que atraíram novos negócios correm risco com a reforma tributária do consumo;
- Falta de um olhar estratégico para o futuro.
“Falta olhar no fundo do olho das nossas tarefas, da nossa responsabilidade e construir uma outra jornada. Isso é o desafio da vida”, afirmou.
Hartung criticou a postura de quem se apega a feitos passados e se acomoda: “Quem fica contando vantagem daquilo que foi feito no passado, às vezes até um pouco distante, tem um encontro marcado com fracasso”. Ele citou um ensinamento de seu pai para reforçar o alerta: “Arrogância é a antessala do fracasso”.
“Não estou satisfeito”
O ex-governador reconheceu os avanços nas áreas de segurança pública, com a criação de um sistema prisional inovador, e nas políticas de educação e saúde, mas ressaltou que as conquistas não podem paralisar a gestão.
“Podemos comemorar, mas sem arrogância e sem paralisia. A vida é muito dinâmica. E se a gente quer futuro para o Espírito Santo, precisamos agir no presente. O poeta nos ensinou: o futuro é o que estamos fazendo hoje”, disse.
E completou com uma avaliação direta:
“E quando eu olho o que estamos fazendo hoje, eu não estou satisfeito”.
Um chamado à ação
Hartung encerrou o pronunciamento com um convite à reflexão e à mobilização. Ele afirmou que seu papel, pela experiência e trajetória, é “emitir bons sinais” — e que o sinal que deixa agora é claro.
“Vamos descruzar os braços, vamos parar com oba-oba e vamos olhar o que nós precisamos fazer para que o nosso Estado, daqui a 10, daqui a 15, daqui a 20 anos, possa ter uma jornada muito melhor do que a do presente”, concluiu. “Mas isso depende da gente. Um abraço a todos.”










