A cerca de 35 quilômetros da sede de Colatina, às margens da Rodovia Gether Lopes de Faria — a Rodovia do Café —, fica o distrito de Ângelo Frechiani, com pouco mais de mil moradores e mais de 50 quilômetros de trilhas usadas para motocross e ciclismo. O distrito é sede do Trilhão, evento criado há décadas por um grupo de rapazes de São Roque de Boa Esperança que reúne centenas de turistas por ano.
O nome da rodovia homenageia um agricultor pioneiro do povoado, do final da década de 1920. O local surgiu após a construção da ponte Florentino Avidos sobre o Rio Doce, que seria ponto de passagem da Estrada de Ferro para o norte do Estado — projeto que não foi concluído, mas que impulsionou o desenvolvimento da região.
O distrito é banhado pelo Rio Pancas e pelos córregos Boa Esperança, Miracema e Limão. Reúne as comunidades de Reta Grande, João Pretinho, São Roque, São Lázaro, Roda D’água, Miracema, Cascatinha do Pancas, Tardin e Limão, além dos córregos Bela Aurora, Lapa, Jequitibá e Graciano Neves.
A economia local tem como base as plantações de café, cacau e banana, presentes em toda a região. No distrito fica a Chocolates Cacau do Vale, e moradores produzem doces de frutas cultivadas no local, além de massas e mudas de plantas, parte deles destinados à venda.
No verão, os moradores usam as águas do Rio Pancas e dos córregos para banho, lazer e churrascos. Ao longo do ano, o distrito também recebe festas, como a do padroeiro São Sebastião e as dos padroeiros de cada comunidade, além de festas juninas, feirinhas e leilões.
Uma pedra da região, com cerca de 900 metros de altura, é usada para a prática de voo livre e parapente. Campos de futebol e quadras também estão entre os espaços usados pelos moradores para a prática de futebol de campo, futebol 7 e futebol de salão.
Moradores
Edmilson Noventa é um dos criadores do Trilhão, evento fundado em 2003 por ele e outros cinco amigos. Sobre o distrito, ele afirma: “Eu acho o meu lugar um dos mais bonitos do interior de Colatina, onde nasci e cresci e pretendo morar por toda a minha vida. É onde tem tudo, a minha família e as pessoas que gosto. Temos plantações bonitas, trilhas para motos e bicicletas, lugar para praticar voo livre e parapente, enfim. É um ótimo lugar para turismo”.
Marizete Borchardt Gomes, de 52 anos, nasceu e cresceu em Ângelo Frechiani e mora na comunidade de Reta Grande. Ela é professora na escola onde estudou e descreve o distrito: “Nasci e cresci em Ângelo Frechiani. Os encontros em família sempre foram muito especiais. Moro em Reta Grande, um lugar tranquilo, acolhedor, muito bom para viver e de fácil acesso para Colatina. Aqui tem crescido muito nos últimos anos, temos boa infraestrutura com lojas, padaria, farmácia, supermercado, posto de combustível, restaurantes, lanchonetes e a escola onde estudei e dou aula. Há empresas de diversos ramos e também fazendas e sítios, que geram oportunidades de trabalho. Tenho orgulho das minhas raízes, sou grata pelo lugar que moro, pelo acolhimento, a simplicidade e a qualidade de vida”.
Mislene Noventa, de 38 anos, também nasceu no distrito, onde mora desde então. Ela comenta: “Eu nunca quis morar em outro lugar. Moro aqui desde que nasci há 38 anos. É um lugar pequeno, mas que me encanta pelas belezas naturais, paisagens lindas, matas, pedras lindas. Para mim, é um cantinho, um vale encantado. Somos uma comunidade muito animada. Tem pessoas de bom coração, generosas, dispostas a ajudar as outras. Esta pedra em frente da minha casa é maravilhosa. O café e o cacau são muito importantes para a nossa região, inclusive temos vários viveiristas de mudas aqui. Meu pai é especialista em cacau”.
A gari Viviane Shafer morava em Colatina e retornou recentemente a Ângelo Frechiani, onde vive sua família. Segundo ela, o retorno se deu pela proximidade das pessoas queridas e pela infraestrutura de serviços do distrito: “Também é legal para a gente se divertir, com tudo perto e com mais segurança”.










