Uma oca transformada em sala de cinema, filmes produzidos por realizadores indígenas e experiências culturais dentro de uma aldeia. Essa é a proposta do Cinematoka – Mostra de Cinema Indígena e Vivência Étnico-Cultural do Espírito Santo, que será realizado em novembro, na Aldeia Tematika, em Aracruz.
A iniciativa pretende criar uma experiência diretamente ligada ao território, além de levar filmes para a comunidade indígena. A programação terá sessões de curtas-metragens e, depois das exibições, atividades como grafismo indígena, artesanato e benzimento.
De acordo com a cineasta, produtora e idealizadora do projeto, Karol Felício, a ideia de realizar a mostra na aldeia surgiu durante a produção de um de seus filmes, Travessia. A equipe chegou a considerar o espaço para o lançamento da obra e, posteriormente, percebeu que o local poderia receber um projeto maior.
“Eu acho que a minha busca é que eles contem as próprias histórias”, explicou Karol durante entrevista à Rádio ES Hoje.
A proposta também está relacionada ao trabalho desenvolvido pela cineasta com comunidades indígenas. Paralelamente às produções audiovisuais, ela relata a realização de oficinas para estimular os próprios moradores a produzirem narrativas sobre seus territórios e experiências.
No Cinematoka, a sessão de cinema será apenas uma parte da experiência. Uma das ocas será preparada com recursos de videomapping para receber as exibições, enquanto o entorno será utilizado para atividades de vivência cultural. Além disso, o público poderá conhecer grafismos indígenas, artesanato e práticas tradicionais, além de ter contato com representantes da comunidade.
Para Karol, a proposta é criar uma oportunidade de aproximação com a cultura e a ancestralidade dos povos originários.
“A gente só tem a aprender quando a gente olha pra trás, quando a gente olha pra ancestralidade, quando a gente olha pra quem chegou aqui primeiro”, afirmou.
A mostra também pretende dar visibilidade a uma produção que já existe dentro e fora do Espírito Santo. Segundo Karol, comunidades indígenas da região têm produzido documentários, ficções, curtas e longas-metragens.
As produções selecionadas para o Cinematoka serão escolhidas por uma curadoria coordenada pelo cineasta indígena Marcelo Guarani. A proposta é reunir filmes de diferentes povos e regiões do país, criando um encontro entre produções indígenas de diferentes territórios.
O Cinematoka será realizado de 13 a 15 de novembro. A sexta-feira será destinada a estudantes da rede pública, enquanto sábado e domingo terão programação aberta ao público, com entrada gratuita. As sessões presenciais terão capacidade aproximada de 60 pessoas.
As inscrições de curtas-metragens produzidos por realizadores indígenas seguem até 15 de agosto. Podem participar obras de até 20 minutos produzidas a partir de 2024. O formulário está disponível no Instagram @cinematoka.
Ouça a entrevista completa:










