A crise que abalou o mercado financeiro do Espírito Santo provocou distrato com BTG Pactual com a Apex Partners nesta quinta-feira (6). Informações obtidas por ES Hoje com exclusividade, dão conta que as irregularidades identificadas em 4 de agosto – há dois dias.
Em um comunicado oficial na tarde desta quinta a companhia confirmou a existência de graves “inconsistências financeiras” e anunciou o afastamento sumário do seu presidente, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, e o diretor financeiro, Eduardo Siqueira. Após a decisão um novo comunicado foi emitido, desta vez pela CVC Corp, anunciando ao mercado que Fernando Cinelli pediu renúncia do cargo de membro do conselho de administração da CVC. A cadeira ficará vaga até a nomeação do substituto. O comunicado é assinado por Felipe Gomes, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da agência de viagens.
Diante dos desdobramentos e da rescisão do contrato de distribuição entre o Banco BTG Pactual e a DRM Apex Investimentos, o passo mais importante para os investidores do Espírito Santo e de outros estados é conferir imediatamente o extrato de suas aplicações financeiras.
A orientação técnica para a proteção do patrimônio envolve pontos cruciais:
O que está seguro: Valores e ativos que constam expressamente no extrato oficial do BTG Pactual — como títulos públicos e investimentos sob custódia direta do banco — estão preservados e não foram impactados.
Onde está o risco: Investimentos feitos em fundos geridos diretamente pelo próprio Grupo Apex ou valores que foram movimentados fora da custódia do banco concentram os indícios de inconsistências e podem ter a liquidez afetada.
Orientação de checagem: O cliente deve acessar o aplicativo ou sistema do BTG Pactual, emitir o extrato consolidado e contatar seu assessor de investimentos para verificar se a carteira possui cotas de fundos sob gestão do grupo capixaba.
“A mensagem principal e o serviço prestado à sociedade é: o cliente precisa verificar seu extrato oficial no BTG Pactual. O que consta formalmente no extrato do banco está mantido, seguro e protegido, como os títulos públicos. O problema se concentra naqueles que aportaram recursos em fundos geridos diretamente pela Apex ou enviaram valores para fora da instituição”, pontuou uma fonte a ES Hoje.
Inconsistências e descumprimento de normas regulatórias
A apuração sobre o caso aponta que o encerramento do contrato de distribuição ocorreu após a identificação de inconsistências contábeis e financeiras na estrutura do grupo. Informações relevantes e estratégicas da operação vinham sendo omitidas do próprio Conselho de Administração da empresa.
Além disso, foram constatados indícios de irregularidades na atuação da DRM Apex Investimentos por descumprimento de normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Diante das regras que regem o mercado de valores mobiliários brasileiro, a constatação das infrações regulatórias tornou compulsório o distrato imediato entre as partes.
O caso já foi reportado formalmente à CVM para que a autarquia adote as medidas cabíveis no âmbito de sua competência.
Além da falta de transparência corporativa, a análise técnica do BTG identificou indícios de irregularidades no âmbito da prestação de serviços da DRM Apex Investimentos — a credenciada que atuava como escritório de assessoria de investimentos.
“Sob a ótica da regulação da CVM, uma vez que toma-se conhecimento desses indícios de irregularidades e descumprimento de normas, não há opção de fazer diferente: a regra exige o distrato imediato, que foi feito hoje”, explicou uma fonte a ES Hoje.
Raio-X dos valores e do impacto nos ativos
A estrutura da DRM Apex Investimentos contava com um volume total de R$ 9 bilhões em ativos de clientes na plataforma do banco. Deste montante, cerca de R$ 4 bilhões a R$ 4,5 bilhões correspondem a investidores do Espírito Santo, base originária da companhia.
As apurações indicam que a grande maioria dos R$ 9 bilhões segue custodiada em ativos seguros e sem risco direto. No entanto, os indícios de irregularidade concentram-se em uma parcela que representa menos de 3% do total — aproximadamente R$ 300 milhões —, alocada justamente em fundos de investimento que eram geridos internamente pelo grupo Apex.
Com a notificação do distrato, a Apex cumpre prazo regulatório de transição para que os clientes realizem a transferência ou reorganização de suas carteiras de investimento.










