Master Capixaba: Fundo de Descarbonização do ES tem R$ 220 milhões protegidos em títulos públicos

Diante da repercussão do comunicado de crise e da apuração de um rombo financeiro na Apex Partners — que culminou no rompimento do contrato entre a consultoria e o Banco BTG Pactual nesta quinta-feira (6) —, o mercado financeiro e o setor público capixaba voltaram as atenções para os grandes projetos de investimento do Estado. Entre eles, o Fundo de Descarbonização do Espírito Santo.

A reportagem do ES Hoje apurou que o fundo está completamente blindado e sem qualquer exposição aos problemas que atingem a Apex.

O primeiro ponto fundamental de diferenciação técnico-jurídica é que a gestão do instrumento não é feita pelo banco BTG Pactual, mas sim pela BTG Pactual Asset Management, a gestora de recursos do grupo. A Apex Partners nunca teve participação ou poder de decisão no fundo.

Alocação rigorosa e rejeição de ativos

Embora a Apex tenha chegado a sugerir teses de investimento para a carteira, nenhuma delas foi aceita. A Comitê e a Área de Riscos da BTG Pactual Asset Management não aprovaram a alocação em qualquer artigo ou título de crédito privado proposto.

Com isso, o desenho atual do Fundo de Descarbonização apresenta o seguinte cenário de liquidez e segurança:

  • Patrimônio Inicial: Estruturado para iniciar com R$ 220 milhões, o fundo possui potencial para alcançar até R$ 1 bilhão.

  • Alocação Atual: 100% do capital está aplicado em títulos públicos federais, considerados os ativos de menor risco do mercado brasileiro.

  • Crédito Privado Zero: Não há qualquer valor investido em papéis corporativos ou ativos privados no momento.

O Fundo Verde do Bandes e a estrutura de Blended Finance

Liderado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) — instituição citada no relatório internacional State of Green Banks pelo combate às mudanças climáticas —, o fundo é a principal ferramenta para cumprir o Plano de Descarbonização do ES, que prevê cortar 27% das emissões de gases de efeito estufa até 2030.

O modelo utiliza a estrutura de blended finance (financiamento misto), combinando R$ 500 milhões do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses) com recursos e alocações privadas viabilizados pela BTG Pactual Asset Management.

“O Fundo de Descarbonização representa um avanço relevante na forma como políticas públicas e capital privado podem atuar de maneira complementar para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono. Ao unir uma governança robusta e critérios técnicos rigorosos, a parceria com o Bandes cria um instrumento capaz de transformar metas climáticas em investimentos concretos”, destacou Sergio Cutolo, sócio da BTG Pactual Asset Management.

Onde os recursos serão aplicados

Quando o comitê de risco autorizar o início das alocações em projetos produtivos, o edital prevê que os aportes deverão financiar empreendimentos que promovam a transição ecológica no Espírito Santo. Os setores contemplados incluem:

  • Energia Limpa: Geração solar, eólica, biogás e biometano;

  • Indústria e Logística: Tecnologias limpas, eficiência energética e eletrificação de frotas;

  • Campo e Floresta: Reflorestamento, restauração ambiental e agricultura regenerativa;

  • Resíduos: Reciclagem e valorização energética de lixo.

A regra de governança determina ainda que os ativos devem ser emitidos por empresas com atuação direta no Estado, sendo estritamente vedada a concentração de recursos em um único setor.

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