Já anunciado como um divisor de águas na aviação capixaba, o inédito voo direto ligando Vitória a Buenos Aires acaba de ter seu plano de voo e sua estratégia financeira detalhados. Com a operação confirmada para acontecer entre os dias 17 e 24 de outubro, a iniciativa deixa o campo do anúncio e ganha status de ofensiva comercial de mercado. Para fazer com que a rota experimental operada pela Gol se consolide no mapa turístico do continente, o Governo do Estado injetou R$ 4,2 milhões exclusivamente em ações de promoção e ativação do destino Espírito Santo para os argentinos.
O investimento — alinhado ao Plano Estratégico de Marketing Turístico do Espírito Santo e ao Plano Brasis da Embratur — foca em capturar uma fatia expressiva do contingente de 3,4 milhões de argentinos que já visitam o Brasil por ano, mas que historicamente passam ao largo de solo capixaba. A aposta fundamenta-se na saturação dos destinos tradicionais do Sudeste e no comportamento do turista hermano, que busca novidade em praias, gastronomia rica e ecoturismo, com boa relação custo-benefício.
A tese do trade é repetir o fenômeno que projetou a baiana Trancoso na década de 2010. O apelo capixaba é real: as buscas na internet na Argentina pelo termo “Espírito Santo” registraram um salto de 200%.
Operação casada: ativação em Buenos Aires e Famtour no ES
O montante investido viabilizará uma dinâmica de dois lados durante a semana de outubro:
Em solo argentino (17 a 24 de outubro): Uma comitiva de lideranças e empresários capixabas estará na capital argentina promovendo “vendas ativas” e campanhas em shoppings, encontros com empresas do setor e forte presença na mídia local.
Em solo capixaba (18 a 23 de outubro): No voo de retorno a Vitória, desembarcam 170 atores estratégicos do turismo platino — incluindo agentes de viagens, influenciadores e imprensa especializada. O objetivo do famtour é gerar negócios imediatos e mostrar que o produto capixaba entrega valor para além do litoral, colocando a região de montanhas para competir diretamente com a Serra Gaúcha.
Líderes detalham a nova fase da estratégia
O Secretário de Estado do Turismo, Luciano Machado, frisa que a definição das datas e da operação não é casual:
“Ligar o Espírito Santo à Argentina não foi por acaso. É mais uma etapa desse sonho de transformar o turismo capixaba em produto comercial.”
Na retaguarda da promoção externa, o atendimento ao mercado nacional segue preservado. De acordo com o Estado, o ciclo de internacionalização não interrompe o trabalho que está sendo feito dentro do território nacional com planos de promoções com as principais operadoras de turismo do país. O Presidente do Conselho Estadual de Turismo (Contures), Valdeir Nunes, o China, destaca que o investimento coroa uma construção iniciada há meses:
“O turismo do ES vive um novo momento. A promoção e comercialização do destino Espírito Santo é um esforço conjunto feito há bastante tempo que, nos últimos seis meses, nos possibilitou buscar a internacionalização”.
Para o superintendente do Sebrae-ES, Pedro Rigo, a viabilização da rota dentro das diretrizes estratégicas atende a um rigor de governança:
“O plano de marketing nos guia junto com o Plano Brasis da Embratur. O governo disse que não poderíamos perder a oportunidade para apresentar hoje um plano robusto de promoção e ativação, assim como outros destinos na América do Sul. Isso foi possível pela vontade política e pelo apoio para fazer acontecer.”
Matriz econômica e visão pragmática
A viabilização do voo e as ações de promoção chegam em momento crucial para a economia capixaba. Diante dos impactos futuros da Reforma Tributária, o estímulo ao consumo por meio do turismo qualificado virou prioridade fiscal e comercial. O governador do Estado, Ricardo Ferraço, adota tom pragmático sobre a oportunidade comercial e a diplomacia do turismo:
“O que está acontecendo no turismo do ES é fruto de um trabalho coletivo — setor público, setor privado e entidades. É desse compartilhamento que estamos dando um passo muito importante para tornar o nosso estado um destino receptivo para o Brasil e América do Sul. Não devemos olhar somente para a Argentina, mas também para o Chile, que traz mais de 800 mil pessoas por ano ao país. O turismo capixaba não tem tempo a perder, e nós também não. Não vamos nos envolver na briga entre os presidentes do Brasil e da Argentina, porque logo logo eles se entendem e nós temos que seguir com o nosso propósito. Internacionalizar o ES é um projeto audacioso. No voo do dia 17, não vou perder essa chance de jeito nenhum: vamos unir o congo com o tango, a moqueca com a parrilla. Tem que ter cuidado, zelo e profissionalismo pela importância do turismo para ampliar o consumo no estado.”
Conectando o setor de viagens com a atração de investimentos gerais, o presidente do Sistema Fecomércio-ES, Idalberto Moro, contextualiza a chegada dos turistas platinos:
“A internacionalização do nosso estado já iniciou com a fábrica chinesa da GWM e com as crescentes oportunidades de negócio com o Chile e a Argentina, por exemplo. Somos os maiores importadores de vinho e há muitos argentinos morando no ES. O turismo consolida essa ponte.”
Representante da Zurich Airport Brasil concluem que a estruturação do voo experimental e o investimento promocional representam um esforço conjunto mobilizado para aumentar a visibilidade do ES no mercado internacional e gerar oportunidades para toda a cadeia turística. A concessionária destacou que toda a infraestrutura para que os voos saiam e entrem já estão sendo organizados, também com as Receita e Polícia Federal, como é o protocolo de voos internacionais.
Se a taxa de conversão das vendas em Buenos Aires e o retorno do famtour corresponderem às expectativas, a meta do Governo do Estado é transformar o voo experimental de outubro em rota fixa a partir de 2027.










