Uma dívida de R$ 600, a banalização da vida e o deboche após o assassinato são elementos que marcam o crime que tirou a vida de Jonathan Carvalho dos Santos, de 35 anos, em Viana. O comerciante foi morto com cerca de oito tiros na madrugada de 14 de junho, no bairro Canaã. Segundo a Polícia Civil, o homicídio foi motivado pela cobrança de uma dívida relacionada à negociação de um alto-falante automotivo.
De acordo com o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, delegado Cleudes Júnior, o suspeito do crime é Renan de Jesus Vicente. A investigação apontou que Jonathan devia R$ 600 a Renan pela negociação do equipamento de som.
Na noite do crime, Renan estava em Nova Brasília, consumindo bebidas alcoólicas com amigos e com a companheira, Sheyla Vitória de Oliveira. Em determinado momento, o suspeito viu publicações feitas por Jonathan em uma rede social indicando que ele estava no Parque Linear de Canaã. A partir disso, decidiu ir até o local acompanhado de um amigo para cobrar a dívida e recuperar o alto-falante.
“Chegando ao endereço, o suspeito e o amigo identificaram o veículo. O colega de Renan estava com uma parafusadeira e os dois começaram a mexer no carro para retirar o alto-falante. Nesse momento, a vítima e a esposa se aproximaram.”

Segundo o delegado Cleudes Júnior, no local houve uma breve discussão entre os dois. “Foi durante essa discussão que o suspeito sacou uma arma de fogo e efetuou quatro disparos contra a vítima. Jonathan caiu no chão, enquanto a esposa tentou impedir a execução e suplicou para que o marido não fosse morto.”
Ainda de acordo com o delegado, o pedido da mulher não teve efeito, já que Renan ameaçou matar os dois caso ela não saísse da frente e, em seguida, efetuou mais quatro disparos. Jonathan morreu no local.
Deboche após o assassinato
Após o crime, Renan fugiu para o Rio de Janeiro. Nove dias depois, a Polícia Civil conseguiu localizá-lo em uma empresa no bairro Tucum, onde ele estaria trabalhando, e efetuou a prisão.
“Após o crime, surgiram informações de que o autor seria Renan. A partir disso, assim que conseguimos a qualificação dele, a DHPP de Viana iniciou diligências com o objetivo de localizá-lo e efetuar a prisão em flagrante.”
Segundo o delegado Cleudes Júnior, o suspeito adotou estratégias para dificultar sua localização, como manter o celular em modo avião e sem chip. O aparelho foi apreendido e encaminhado para perícia. “A análise do conteúdo revelou conversas em que Renan confessava o crime, debochava da morte da vítima e chegava a se vangloriar do homicídio”.
A investigação também identificou que a arma usada por Renan foi um presente dado por Sheyla. “Em mensagens analisadas pela polícia, Renan relatava que já havia tentado localizar Jonathan anteriormente para recuperar o alto-falante. Em uma das conversas, ele afirmou: ‘Fui atrás do meu alto-falante onde o Coelho estava. Ele deu sorte’, em referência ao fato de não ter encontrado a vítima naquela ocasião.”

Arma apreendida
O delegado esclareceu ainda que a arma foi encontrada com Sheyla. “A Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência dela, em Nova Brasília. No imóvel, foi encontrada uma pistola calibre .380 com numeração raspada, dois carregadores e 24 munições.”
Cleudes Júnior reforçou ainda que o calibre da arma é compatível com o utilizado no homicídio. “O material foi encaminhado ao setor de balística para realização de microcomparação balística, exame que poderá confirmar se a pistola foi usada na execução”.
Sheyla foi presa em flagrante no dia 17 de julho por posse de arma de fogo de uso restrito. “Após audiência de custódia, ela passou a responder ao processo em liberdade, com monitoramento eletrônico e outras medidas cautelares. Isso porque ela tem uma filha menor dependente dela.”

Indiciados por homicídio qualificado
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil indiciou Renan pelo homicídio de Jonathan e apontou Sheyla como participante do crime por auxílio material, em razão do fornecimento da arma utilizada na execução.
Os dois foram indiciados por homicídio qualificado por motivo fútil e torpe, além de recurso que dificultou a defesa da vítima. Para o delegado Cleudes Júnior, o caso evidencia a banalização da vida, já que o assassinato foi motivado por uma dívida de apenas R$ 600.
“O homicídio foi praticado por uma cobrança de dívida e por vingança. Uma vida foi tirada por causa de R$ 600”, destacou o delegado.
O inquérito foi concluído cerca de um mês após o crime e encaminhado à Justiça. Renan e Sheyla já respondem como réus na ação penal.










