O início da colheita do café impulsionou o mercado de trabalho no Espírito Santo e levou o estado a registrar o melhor saldo de empregos formais dos últimos três anos. Em maio, foram criadas 9.532 vagas com carteira assinada, resultado puxado principalmente pela agropecuária, que respondeu por 9.183 novos postos de trabalho. Os dados são do Connect Fecomércio-ES, com base nas informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Segundo o levantamento, o desempenho representa o melhor resultado mensal desde maio de 2023 e reflete o aumento da demanda por trabalhadores temporários para atender à safra do café, principal cultura agrícola do estado.
Além da agropecuária, o setor de serviços fechou o mês com saldo positivo de 614 vagas, enquanto o comércio registrou a criação de 68 empregos formais.
O coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, destacou que a cafeicultura movimenta diversos segmentos da economia capixaba.
“A safra impulsiona o transporte, a armazenagem, a logística, o comércio e diversos serviços ligados à cadeia produtiva. Esse resultado demonstra a força dessa atividade para a geração de emprego, renda e circulação de recursos, especialmente nos municípios do interior”, afirmou.
Interior concentra quase 88% das vagas
O crescimento do emprego formal ocorreu principalmente fora da Região Metropolitana da Grande Vitória. Dos 9.532 postos criados em maio, 8.364 foram registrados em municípios do interior, o equivalente a 87,7% do total.
Sooretama liderou a geração de empregos no estado, com saldo de 1.826 vagas. Em seguida aparecem Jaguaré (1.560), Linhares (1.181) e Vila Valério (1.093), cidades diretamente beneficiadas pelo avanço da colheita do café.
Na Grande Vitória, Vitória apresentou o melhor desempenho, com 884 empregos formais criados. Serra (180), Cariacica (133) e Vila Velha (109) também registraram saldo positivo.
Para Spalenza, o resultado evidencia a importância do agronegócio para o desenvolvimento regional.
“O crescimento do emprego formal amplia a renda das famílias e a circulação de recursos justamente em municípios onde a cafeicultura possui grande relevância econômica. Ao mesmo tempo, a formalização dessas contratações representa mais proteção aos trabalhadores e contribui para reduzir a informalidade no meio rural”, destacou.
Espírito Santo soma mais de 26 mil empregos no ano
Entre janeiro e maio, o Espírito Santo acumulou 26.011 novos empregos formais, número 7,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Com o resultado, o estado passou a contabilizar 942.217 vínculos formais de trabalho, crescimento de 1,7% em relação a maio de 2025.
O setor terciário foi o principal responsável pela expansão do estoque de empregos, com a criação de 15.361 postos de trabalho no período. O comércio registrou aumento de 2,6% no número de vínculos formais, enquanto os serviços cresceram 2,2%. Juntos, os dois segmentos somam 661.766 trabalhadores com carteira assinada.
Cafeicultura bate recorde de geração de empregos
O levantamento também aponta um marco histórico para a cafeicultura capixaba. Somente o cultivo de café respondeu pela criação de 6.527 empregos formais em maio, o maior saldo já registrado pela atividade desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020.
De acordo com dados do Incaper citados pela Fecomércio-ES, a cafeicultura representa cerca de 37% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária capixaba, consolidando-se como uma das principais atividades econômicas do estado.
O presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo e diretor de Relações Institucionais da Fecomércio-ES, Marcus Magalhães, ressaltou que a safra também movimenta trabalhadores de outras regiões do país.
“Durante três a cinco meses, milhares de trabalhadores percorrem diferentes regiões para transformar a safra do café em renda para suas famílias. Além da mão de obra local, recebemos pessoas de outros estados, principalmente do Nordeste e do sul da Bahia. Quando a colheita termina, elas retornam para suas cidades levando os recursos obtidos aqui, em um movimento que se repete há décadas e faz parte da dinâmica da cafeicultura”, explicou.










