O cenário político do Espírito Santo sofreu uma reconfiguração importante nesta segunda-feira (20) com o possível fim da aliança entre o PSD e o Republicanos, que vinha sendo desenhada há meses para as eleições de 2026. Na parte da manhã, o ex-deputado e presidente estadual do PSD, Renzo Vasconcelos, formalizou o distanciamento após criticar movimentações unilaterais da outra legenda. A resposta do PSD será a busca por uma trajetória independente, iniciando diálogos com lideranças de espectros distintos da política capixaba, como o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) e o deputado federal Helder Salomão (PT).
PSD critica negociações individuais e sinaliza conversas ao Centro e à Esquerda
A ruptura foi justificada pelo comando do PSD como uma reação à postura interna do Republicanos na condução das costuras partidárias. De acordo com Renzo Vasconcelos, a sigla optou por priorizar agendas isoladas em detrimento dos acordos que vinham sendo debatidos de forma colegiada. A estratégia do partido agora passa por reavaliar o posicionamento de centro nas principais chapas majoritárias do estado.
“Quando se está em grupo, se dialoga em grupo. O Republicanos quis conversar individualmente”, afirmou o presidente do PSD-ES, Renzo Vasconcelos, ao sinalizar a nova postura da legenda.
O movimento abre espaço para a aproximação com forças políticas tradicionais que orbitam o Palácio Anchieta e a base governista, ampliando o leque de negociações para além da centro-direita ao pautar conversas formais com o MDB e o Partido dos Trabalhadores nos próximos dias.
Republicanos reage e consolida bloco com a direita capixaba
A resposta do Republicanos ocorreu na tarde desta segunda-feira, consolidando o posicionamento ideológico da legenda em direção à ala conservadora do estado. O presidente estadual do partido, Erick Musso, utilizou canais de comunicação digital para referendar a unidade com lideranças da direita. Seria essa uma tentativa de isola as tratativas de centro?
O Republicanos reforçou publicamente o alinhamento com a pré-candidatura do ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, ao Governo do Estado e a aproximação com o cenário nacional. O ato político que marcou a coesão do grupo ocorreu no último sábado (18), durante o lançamento oficial da pré-candidatura de Maguinha Malta ao Senado Federal, evento que reuniu o senador Magno Malta (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Em publicação, Musso reafirmou que o projeto majoritário da legenda está fundamentado em um bloco programático coeso e voltado para as pautas conservadoras e liberais.
“Caminharemos unidos, com propósito, maturidade e um projeto claro para o Espírito Santo e para o Brasil. Uma aliança construída em torno de valores, ideias e da vontade de mudar os rumos do nosso Estado”, declarou Erick Musso.
Convenções partidárias iniciam prazo para definição de chapas majoritárias
O rompimento entre PSD e Republicanos coincide com a abertura oficial do calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a realização das convenções partidárias de 2026, cujo prazo começa nesta segunda-feira (20) e se estende até o dia 5 de agosto. O período é decisivo para que federações e partidos oficializem os nomes que disputarão o Governo do Estado, o Senado e as vagas legislativas.
A fragmentação do antigo bloco de centro-direita coloca o mercado político capixaba em compasso de espera para observar como a saída do PSD alterará os cálculos de palanque para o Executivo Estadual, alterando a correlação de forças entre a base do atual governo e a oposição de direita na capital.










