Inflação desacelera a 0,16% em junho e fica abaixo das projeções

A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou a 0,16% em junho, após marcar 0,58% em maio, apontou nesta sexta-feira (10) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado surpreendeu analistas ao ficar bem abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,31% para o sexto mês do ano, conforme a agência Bloomberg. A taxa de 0,16% é menor até do que o piso das estimativas (0,26%).

Um dos motivos para o alívio, segundo o IBGE, foi o comportamento do grupo alimentação e bebidas, que teve queda de preços em junho (0,24%) após alta superior a 1% em maio (1,33%).
Em 12 meses, o IPCA acumulou alta de 4,64% até junho, depois de marcar 4,72% até maio.

Com o novo resultado, o índice ficou pelo segundo mês consecutivo acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central).

A meta é considerada descumprida quando o IPCA acumulado permanece por seis meses seguidos de divulgação fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto). O centro é de 3%.

Na mediana, as projeções do mercado financeiro indicam IPCA de 5,3% para o acumulado de 12 meses de 2026, conforme o boletim Focus mais recente, publicado pelo BC na segunda (6).

A estimativa recuou frente ao boletim da semana anterior (5,33%). Foi a primeira queda depois do início da guerra no Irã, que começou em 28 de fevereiro. A baixa ocorreu após a trégua no conflito do país com os Estados Unidos.
As forças americanas, porém, recomeçaram os ataques a pontos do Irã na quarta-feira (8). A situação ocorreu após o presidente Donald Trump dizer que a trégua estabelecida entre os rivais em 17 de junho estava acabada.

A explosão da guerra em fevereiro gerou reflexos para a inflação brasileira. Combustíveis ficaram mais caros com a escalada das cotações do petróleo devido ao conflito.

O IPCA também foi pressionado pela alta dos preços dos alimentos no primeiro semestre. O avanço ocorreu sob impacto da redução sazonal da oferta de parte dos produtos e do aumento dos custos produtivos após o início da guerra.

A situação gerou preocupação para o governo Lula (PT), que apostou em um pacote de medidas para conter a carestia dos combustíveis em ano eleitoral. O presidente deve concorrer à reeleição em outubro.

O El Niño é um dos riscos para a inflação a partir do segundo semestre. O fenômeno climático desafia o agronegócio ao alterar a distribuição das chuvas no território.

Segundo analistas, eventuais dificuldades para a produção de alimentos podem elevar os preços para o consumidor.

Rio de Janeiro, FolhaPress – Leonardo Vieceli

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