Terminada sua primeira experiência em uma Copa do Mundo, Carlo Ancelotti fez uma avaliação positiva de seu trabalho e do desempenho da seleção brasileira. Ainda que tenha manifestado “profunda tristeza” pela eliminação diante da Noruega nas oitavas de final, procurou adotar um tom sereno, de olho em 2030 -seu contrato já está renovado para a próxima edição do torneio.
“Acho que fizemos não um Mundial especial, mas um bom Mundial. Acho também que merecíamos ganhar o jogo hoje. Mas, quando você passa por um momento assim, tem que pensar que a derrota é o começo de uma nova aventura. Temos que continuar melhorando, encontrar novas ideias. Não é o fim, é o início de um novo ciclo esta derrota”, afirmou.
“O que vamos fazer é continuar trabalhando, tentar melhorar e buscar novas ideias. O mesmo que fizemos neste ano. Acho que o trabalho foi bom. O futebol é assim. Às vezes, você tem que administrar a tristeza de uma derrota. Estou acostumado a isso. Vamos administrar esta derrota com um novo impulso ao trabalho”, acrescentou.
Especificamente sobre a derrota por 2 a 1 para a Noruega, Ancelotti lamentou as oportunidades desperdiçadas, duas delas claríssimas. Na primeira, no início da partida, Bruno Guimarães bateu mal um pênalti e parou no goleiro Nyland. Na etapa final, Endrick recebeu de Vinicius Junior na cara do gol, atrapalhou-se e bateu para fora.
Questionado sobre por que Vinicius Junior, o craque do time, não foi o escolhido para a cobrança da marca penal, o italiano respondeu que existe um ranking. “Temos dados coletados. O melhor a bater o pênalti é Neymar, depois Igor Thiago, depois Raphinha, depois Bruno Guimarães, depois Martinelli. Escolhemos Bruno Guimarães porque pensamos que era o melhor no campo”.
O comandante foi também indagado sobre a baixa posse de bola da seleção. De acordo com o site de estatísticas Opta Analyst, a equipe verde-amarela teve 33,6%, contra 66,4% do adversário. Na contabilidade oficial da Fifa (Federação Internacional de Futebol), o Brasil teve 35%, com 55% da Noruega e os 10% restantes em disputa.
“Era complicado fazer pressão alta, porque a Noruega baixava muito o Odegaard. Então, era um risco pressionar na frente por causa da velocidade do Haaland no um contra um. Sabíamos que eles poderiam jogar nesse estilo, com a posse da bola. Durante 70 minutos, o jogo esteve sob controle, tivemos oportunidades. Mas o Haaland acabou decidindo”, disse Ancelotti.
O centroavante Haaland decidiu, de fato, com um cabeceio firme e um bom chute da entrada da área. Deixou o Brasil lambendo suas feridas e pensando no longo caminho até a Copa do Mundo de 2030.
“Agora, temos que administrar a tristeza. Amanhã, começamos a pensar no que pode ser o futuro desta seleção, que já tem um grupo bastante sólido de jovens, de veteranos que podem continuar e também de novos jogadores que podem entrar”.
Nova Jersey, FolhaPress – Marcos Guedes e Luciano Trindade










