A apreensão de fuzis no Espírito Santo registrou um crescimento alarmante de 212% entre os anos de 2021 e 2025. O dado, que acende o alerta na segurança pública do ES, faz parte do estudo “A Nova Cadeia de Suprimentos do Crime”, publicado no projeto Pensando o Direito, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Produzido em parceria com o Instituto Sou da Paz, o levantamento mostra que o mercado ilícito de armas no Brasil passa por uma mudança de escala e distribuição territorial, impactando diretamente o território capixaba, que historicamente não tinha tradição consolidada na retenção desse tipo de armamento de alto poder de fogo.
Mudança no perfil do crime organizado no ES e no Brasil
Nacionalmente, o Brasil segue registrando patamares elevados de violência e controle de armamentos, com 107.746 armas apreendidas pelas forças de segurança apenas em 2025 — o segundo maior volume de toda a série histórica analisada (2021–2025).
A análise técnica revela uma alteração qualitativa no poder bélico das facções criminosas. Enquanto os revólveres perderam participação nas apreensões (caindo de 38,6% para 33,5%), as pistolas avançaram para 27,8%. O dado mais crítico, contudo, está nos fuzis: embora representem uma fatia menor do total absoluto, a participação dessas armas de guerra mais que dobrou no país, saltando de 0,7% para 2%.
O avanço capixaba (+212%) acompanha uma tendência de interiorização e espalhamento desse arsenal por estados que antes não figuravam no epicentro dessa rota, como a Bahia (+400%), Pará (+360%) e Ceará (+263%).
Rotas do tráfico de armas e os desafios na segurança pública
O diagnóstico detalhado pelos pesquisadores Bruno Langeani e Carolina Ricardo organiza o abastecimento do mercado ilegal em três frentes principais:
Desvios do mercado doméstico legal;
Tráfico internacional de armas;
Fabricação clandestina.
O estudo reforça que a atuação das polícias nas ruas para a apreensão de armas no ES e no restante do país, embora fundamental, funciona apenas como uma contenção temporária se não houver um bloqueio na origem do fornecimento. O Sudeste brasileiro, inclusive, perdeu participação relativa no total de apreensões nacionais, recuando de 41% para 36%, enquanto o Nordeste cresceu para 33%, impulsionado pela expansão de facções nacionais e disputas de território.
Recomendações e o impacto no debate legislativo
A publicação do Ministério da Justiça não se limita ao diagnóstico da criminalidade, mas apresenta uma agenda prática de recomendações institucionais divididas entre o Governo Federal, Congresso Nacional, Ministério Público, Poder Judiciário e os governos estaduais.
Entre as medidas propostas para frear o poder de fogo das organizações criminosas e que impactam as estratégias de segurança do Espírito Santo estão:
Fortalecimento do rastreamento de munições e armamentos;
Rigor na fiscalização e marcação de arsenais;
Melhoria nos sistemas de controle e destinação final das armas apreendidas.
O volume completo faz parte da retomada do Projeto Pensando o Direito, braço da Secretaria de Assuntos Legislativos que visa embasar as políticas públicas e o debate de leis de segurança com critérios estritamente empíricos e baseados em evidências.










