China amplia participação para 59% da pauta importadora do Espírito Santo

Dados do levantamento Connect Fecomércio-ES, elaborado com base nas estatísticas do Comex Stat/MDIC, em parceria com o Sindiex, o comércio exterior do Espírito Santo voltou a acelerar em maio de 2026, mas o resultado carrega um sinal de alerta para empresas que dependem de insumos, equipamentos e logística internacional: a corrente de comércio do estado somou US$ 2,56 bilhões no mês, avanço de 14,2% sobre abril e de 6,4% na comparação anual, puxado quase inteiramente pelo forte crescimento das importações — que subiram 36% no mês e chegaram a US$ 1,74 bilhão, o segundo maior volume da série histórica recente. As exportações, por outro lado, recuaram 14,8% frente a abril, fechando em US$ 822 milhões.

O descompasso entre os dois fluxos ampliou o déficit comercial capixaba para US$ 918 milhões — alta de 192,5% em relação a abril e de 55% frente a maio de 2025. Para empresas importadoras, o dado reforça um câmbio de custo operacional relevante; para exportadoras, sinaliza pressão adicional sobre margens em um cenário de recuo nos embarques.

China consolida domínio nas importações

O detalhamento por origem mostra uma concentração acelerada: a China respondeu por 59% de tudo que o Espírito Santo importou em maio (cerca de US$ 1,01 bilhão), avanço de 14 pontos percentuais em relação aos 45% registrados em abril. O movimento reflete principalmente a entrada de veículos, máquinas e equipamentos industriais — grupo que sozinho representou 66,5% da pauta importadora estadual, com alta mensal de 49,1% e volume de US$ 1,1 bilhão.

Para empresas capixabas que dependem de insumos importados, especialmente do setor automotivo e industrial, o dado é um indicativo direto de para onde estão migrando as cadeias de suprimento — e um argumento de peso para quem avalia diversificação de fornecedores frente à concentração crescente em um único parceiro comercial.

Pauta exportadora perde força nos minérios, ganha no café

Do lado das vendas externas, o grupo de minérios, escórias e cinzas seguiu como líder da pauta exportadora (34,2% do total, US$ 281 milhões), mas com retração de 13,8% no mês — possível reflexo de menor volume embarcado ou queda nos preços internacionais das commodities minerais. Em contrapartida, café, chá, mate e especiarias cresceram 6,9% e já respondem por 24,4% das exportações capixabas, reforçando o peso da cadeia cafeeira como vetor de estabilidade em um cenário de volatilidade mineral e siderúrgica.

Os Estados Unidos seguem como principal destino das exportações capixabas, absorvendo 29% do total (US$ 236 milhões), enquanto o grupo “demais países” concentra 42% das vendas externas — sinal de diversificação de mercado que reduz a dependência de poucos destinos, mas também de menor previsibilidade para quem exporta.

Infraestrutura portuária: o gargalo apontado pelo empresariado

O relatório do Connect Fecomércio-ES também traz uma avaliação, para quem a competitividade do Espírito Santo no comércio exterior depende diretamente de investimentos em logística. Segundo ela, a modernização da infraestrutura portuária é fundamental para acompanhar o crescimento da demanda logística e comercial do estado.

“A modernização da infraestrutura portuária é fundamental para ampliar a competitividade do Espírito Santo e acompanhar o crescimento da demanda logística e comercial”, afirma Silvio Cesar Correia, da Excim, que faz a análise.

Aponta ainda três frentes específicas de atenção para o setor produtivo: a revisão da taxa aplicada ao DTC (que encarece operações com remoção de cargas para zona secundária), a necessidade de investimentos em rodovias de acesso aos portos, e a modernização de terminais para movimentação de contêineres e cargas especiais. Para empresas que operam ou pretendem expandir operações de comércio exterior no estado, esses pontos funcionam como um mapa de riscos operacionais a monitorar nos próximos meses.

Pontos de atenção concluem o relatório

Com 4,6% de participação na corrente de comércio nacional e 10% na do Sudeste — mas 14% das importações da região —, o Espírito Santo segue consolidando seu papel como plataforma logística de entrada de mercadorias no país. Para o setor produtivo local, o cenário de maio reforça duas leituras práticas: por um lado, a forte demanda por importações indica aquecimento da atividade industrial e de investimento; por outro, a concentração crescente na origem chinesa e o déficit comercial ampliado sinalizam pontos de atenção para o planejamento de custos e cadeias de suprimento nos próximos meses.

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