ES tem 50 barragens com risco e sob maior atenção

O Espírito Santo possui 810 barragens cadastradas, das quais 50 são classificadas com Dano Potencial Associado (DPA) e cinco estão entre as estruturas consideradas prioritárias para gestão da segurança no Brasil, segundo o Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O documento, divulgado nesta sexta-feira (3), identifica empreendimentos que exigem maior atenção por apresentarem problemas de conservação ou por não cumprirem integralmente as exigências da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).

As cinco barragens capixabas integram um grupo de 213 estruturas distribuídas por 19 estados e o Distrito Federal que demandam acompanhamento reforçado. Segundo a ANA, caso ocorra um acidente, essas barragens podem representar risco à população, ao meio ambiente ou a serviços considerados essenciais.

Espírito Santo tem 810 barragens cadastradas

O levantamento mostra que o Espírito Santo contabiliza 810 barragens registradas, sendo 24 incluídas no cadastro em 2026. As estruturas estão distribuídas por 47 municípios capixabas.

Do total, 50 possuem Dano Potencial Associado (DPA), classificação utilizada para medir os impactos que um eventual rompimento poderia provocar sobre vidas humanas, atividades econômicas, infraestrutura e meio ambiente.

Entre essas barragens estão estruturas destinadas ao abastecimento humano, irrigação, paisagismo, aquicultura, recreação, dessedentação de animais e outros usos.

Cinco barragens exigem maior atenção

As cinco barragens capixabas classificadas como prioritárias pela ANA apresentam problemas relacionados ao estado de conservação ou ao cumprimento dos requisitos previstos na Política Nacional de Segurança de Barragens.

Entre elas, duas são de responsabilidade da Cesan, duas pertencem a Serviços Autônomos de Água e Esgoto (SAAEs) e a outra é de empreendedor privado. O relatório não significa, por si só, risco iminente de rompimento, mas indica necessidade de maior controle, fiscalização e adoção de medidas de segurança.

O que significa Dano Potencial Associado e Categoria de Risco

O relatório utiliza dois indicadores para avaliar as barragens.

O Dano Potencial Associado (DPA) mede as consequências que um eventual rompimento pode provocar, podendo ser classificado como alto, médio ou baixo, conforme o potencial de perdas humanas, impactos ambientais e prejuízos econômicos.

Já a Categoria de Risco (CRI) avalia aspectos como características técnicas da estrutura, estado de conservação e cumprimento do Plano de Segurança da Barragem, também podendo ser enquadrada como alta, média ou baixa.

Segundo a ANA, quanto maior o potencial de dano de uma barragem, maior deve ser a exigência sobre sua gestão de segurança e as ações preventivas adotadas pelos responsáveis.

ES tem 50 barragens com risco e sob maior atenção

Brasil tem 213 barragens prioritárias

Em todo o país, o RSB 2026 identificou 213 barragens prioritárias para gestão da segurança.

Desse total:

  • 56 (26%) pertencem à iniciativa privada;
  • 62 (29%) são de empreendedores públicos;
  • 87 (41%) não possuem informação sobre o empreendedor;
  • 8 (4%) pertencem a sociedades de economia mista.

As principais finalidades dessas estruturas são mineração (26%), abastecimento humano (24%), irrigação (14%), regularização de vazão (9%), paisagismo (8%) e dessedentação de animais (8%).

Acidentes e incidentes diminuíram em 2025

O relatório também aponta redução nos registros envolvendo barragens em todo o país.

Em 2025, foram registrados:

  • 18 acidentes, redução de 25% em relação ao levantamento anterior;
  • 23 incidentes, queda de 49%.

Segundo a ANA, não houve vítimas fatais. Entre as consequências registradas estão evacuação preventiva de moradores, além de danos em estradas e pontes.

A Política Nacional de Segurança de Barragens diferencia os dois casos. Acidentes correspondem ao comprometimento parcial ou total da estrutura da barragem. Já os incidentes envolvem alterações no comportamento da estrutura que, caso não sejam corrigidas, podem evoluir para acidentes.

Fiscalização perde profissionais no país

Pela primeira vez desde o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019, o Brasil registrou redução no número de profissionais dedicados à fiscalização de barragens.

Atualmente, 333 servidores atuam na área em 33 órgãos fiscalizadores. Desse total, 161 trabalham exclusivamente com segurança de barragens, enquanto 172 acumulam essa função com outras atividades.

No relatório anterior eram 356 profissionais. A redução foi de 6%.

Além disso, a ANA calcula que 28 órgãos fiscalizadores operam abaixo da equipe mínima recomendada, com déficit de pelo menos 221 profissionais exclusivos para a atividade.

Relatório orienta ações preventivas

Elaborado anualmente pela ANA com informações enviadas pelos órgãos fiscalizadores, o Relatório de Segurança de Barragens é encaminhado ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos e posteriormente ao Congresso Nacional.

O documento apresenta um panorama da segurança das barragens brasileiras, acompanha a implementação da Política Nacional de Segurança de Barragens e subsidia ações preventivas e corretivas voltadas aos empreendedores e aos órgãos responsáveis pela fiscalização.

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