Uma doença silenciosa, que pode evoluir durante anos sem provocar qualquer sintoma, está entre as condições vasculares mais graves quando não é diagnosticada a tempo. O aneurisma de aorta abdominal, caracterizado pela dilatação da principal artéria do corpo, pode romper de forma súbita e provocar uma hemorragia interna com alto risco de morte. Dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS), do Ministério da Saúde, mostram que a mortalidade nas cirurgias de emergência realizadas após a ruptura supera 50%, reforçando a importância do diagnóstico precoce.
O grande desafio é justamente a ausência de sinais de alerta. Na maioria dos casos, o aneurisma é descoberto por acaso, durante exames solicitados para investigar outros problemas de saúde.
“O paciente se sente perfeitamente bem e ativo enquanto a artéria vai se dilatando. Sem um olhar atento e exames preventivos, o primeiro sintoma infelizmente costuma ser uma hemorragia interna gravíssima”, explica o cirurgião vascular e endovascular Josualdo Euzébio.
Quem tem maior risco de desenvolver aneurisma de aorta
Embora possa atingir qualquer pessoa, o aneurisma de aorta abdominal é mais frequente em grupos específicos. O rastreamento é recomendado principalmente para pessoas com mais de 65 anos, especialmente homens fumantes ou ex-fumantes.
Segundo o especialista, o tabagismo é um dos principais fatores associados ao enfraquecimento da parede das artérias. Além disso, histórico familiar da doença, hipertensão arterial e colesterol elevado também aumentam significativamente o risco de desenvolver a dilatação.
Ultrassom de abdômen permite identificar a doença antes da ruptura
A principal forma de prevenção é a realização de um exame simples: o ultrassom de abdômen. O procedimento é rápido, indolor e permite medir o diâmetro da aorta, identificando precocemente alterações que podem colocar a vida do paciente em risco.
De acordo com Josualdo Euzébio, quando a dilatação ultrapassa cinco centímetros, cresce a possibilidade de rompimento da artéria, tornando necessária a avaliação para tratamento.
“O monitoramento constante nos dá o controle da situação. Conseguimos escolher o momento exato de operar, transformando o que seria uma urgência desesperadora em um procedimento planejado”, afirma.
Cirurgia minimamente invasiva reduz tempo de recuperação
Os avanços da cirurgia vascular mudaram o tratamento do aneurisma de aorta abdominal. Atualmente, muitos pacientes podem ser submetidos ao procedimento por técnica endovascular, considerada minimamente invasiva.
Nesse tipo de cirurgia, o acesso é feito por pequenas incisões na região da virilha. Por elas, os médicos introduzem uma endoprótese que reforça internamente a parede da artéria, criando um novo caminho para a circulação do sangue e reduzindo o risco de ruptura.
Além de diminuir o trauma cirúrgico, a técnica proporciona recuperação mais rápida quando comparada à cirurgia aberta, reduzindo o tempo de internação e permitindo retorno mais precoce às atividades.
“Mudamos totalmente a história natural dessa doença. Conseguimos eliminar uma ameaça importante com precisão e segurança, oferecendo mais qualidade de vida aos pacientes”, conclui o especialista.










