Câncer de cabeça e pescoço: ES acende alerta no Julho Verde

O início do “Julho Verde” traz um alerta fundamental para a saúde pública do Espírito Santo. A campanha nacional visa conscientizar a população sobre o câncer de cabeça e pescoço — um termo que engloba tumores localizados na boca, laringe, tireoide e na pele da região facial e cervical. O principal desafio enfrentado por médicos e autoridades de saúde capixabas é a falta de informação, que frequentemente atrasa a busca por atendimento especializado.

Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), o Brasil registra cerca de 39.550 novos casos dessas neoplasias a cada ano. O cenário exige atenção redobrada dos capixabas, uma vez que a Região Sudeste lidera com folga as projeções nacionais, concentrando 20.470 ocorrências anuais — mais da metade do total do país. O Nordeste aparece em segundo lugar (10.070), seguido pelas regiões Sul (4.830), Centro-Oeste (2.760) e Norte (1.420).

Câncer de cabeça e pescoço: ES acende alerta no Julho VerdeDe acordo com o cirurgião de cabeça e pescoço Marco Homero de Sá, o desconhecimento generalizado sobre os sintomas agrava o prognóstico dos pacientes.

“Um dos maiores desafios que enfrentamos, no Brasil, é a falta de conhecimento da população sobre os sinais e sintomas, que fazem com que os casos cheguem ao tratamento em estado muito adiantado, piorando o prognóstico e resultando em tratamentos mais agressivos”, explica o especialista.

Quando a doença é identificada precocemente, os procedimentos são menos invasivos e as chances de cura aumentam significativamente.

Atenção aos sinais: os 5 indícios que demandam investigação

Para ajudar o leitor do Espírito Santo a identificar possíveis alterações e buscar a rede de saúde a tempo, especialistas listam os principais sinais de alerta que persistem por mais de duas semanas:

  • Surgimento de nódulo no pescoço: Pode ser o primeiro indicativo de tumores na boca, laringe ou tireoide. O Dr. Marco Homero ressalta que a maior parte dos nódulos de tireoide é benigna, mas a investigação médica é indispensável para o diagnóstico correto.

  • Dor de garganta persistente: Dificuldade prolongada para engolir ou respirar, sem sintomas de infecção respiratória aparente, acende o sinal de alerta.

  • Alterações na voz: Rouquidão persistente que ultrapassa o período de 15 dias deve ser avaliada por um profissional.

  • Manchas brancas ou avermelhadas na boca: Feridas na cavidade bucal que não cicatrizam em duas semanas podem ser confundidas com aftas comuns, retardando o diagnóstico do câncer de boca.

  • Feridas na pele que não cicatrizam: Lesões na face ou pescoço que mudam de cor, ganham crostas, descamam ou voltam a sangrar com facilidade — além de pintas e verrugas que aumentam de tamanho — são indícios clássicos que exigem avaliação dermatológica.

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