A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu quatro integrantes de uma organização criminosa suspeita de criar um falso site para arrecadar doações destinadas às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul e, posteriormente, aplicar golpes por meio da oferta de empréstimos fraudulentos. A operação, batizada de Falsa Esperança, foi deflagrada na última sexta-feira (26), com ações simultâneas em Vila Velha (ES) e Muriaé (MG).
Além dos quatro mandados de prisão preventiva, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa e estelionato majorado.
Os detalhes da investigação foram apresentados nesta segunda-feira (29), durante coletiva de imprensa na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória.
Investigação começou após denúncia do Rio Grande do Sul
Segundo o delegado Rodrigo de Mello Toscano, responsável pela Delegacia de Polícia de Piúma, a investigação teve início após informações encaminhadas pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
De acordo com o delegado, os criminosos criaram um site falso para simular uma campanha beneficente destinada às vítimas das enchentes que atingiram o estado gaúcho em 2024.
Após a retirada da página do ar, a organização passou a utilizar o mesmo endereço eletrônico para anunciar falsos empréstimos. As vítimas eram direcionadas para um número de telefone controlado pelo grupo, onde forneciam documentos, CPF e outros dados pessoais, posteriormente utilizados em novas fraudes.
Grupo tinha atuação nacional
As investigações apontaram que o esquema fazia vítimas em pelo menos cinco estados brasileiros. Embora o prejuízo total ainda esteja sendo calculado, a análise financeira revelou movimentações milionárias.
Segundo a Polícia Civil, o homem apontado como líder da organização movimentou mais de R$ 18 milhões entre 2024 e este ano por meio de uma empresa que realizou transações com mais de 40 pessoas.
Suspeitos tentaram fugir após decretação das prisões
Após a Justiça decretar as prisões preventivas, os investigados deixaram Piúma para tentar dificultar o trabalho policial.
O líder foi localizado em Vila Velha, enquanto os outros três suspeitos seguiram para Muriaé, em Minas Gerais. As equipes da Delegacia de Piúma dividiram as diligências entre os dois estados, contando com apoio da Core e da Polícia Civil mineira para localizar e prender todos os investigados.
Carro de luxo e eletrônicos foram apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados de busca, a polícia apreendeu celulares, aparelhos eletrônicos, substâncias anabolizantes e um veículo utilitário esportivo de luxo, adquirido cerca de um mês antes da operação e avaliado entre R$ 190 mil e R$ 200 mil.
Segundo os investigadores, os suspeitos afirmaram que estavam desempregados, mas levavam um padrão de vida incompatível com a renda declarada, morando em imóveis de alto padrão e possuindo bens de elevado valor.
Grupo já respondia por crimes semelhantes
Ainda conforme a Polícia Civil, os investigados já eram alvo de outra ação penal por crimes patrimoniais praticados pela internet em Piúma. Na investigação anterior, também foi identificada a participação dos pais de dois dos irmãos investigados.
Polícia faz alerta sobre doações pela internet
O delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, destacou que a operação demonstra a importância do trabalho de combate aos crimes cibernéticos e afirmou que, apesar do crescimento registrado nos últimos anos, os golpes virtuais têm apresentado sinais de estabilização devido à maior conscientização da população e às ações policiais.
Já o delegado Rodrigo Toscano alertou para os cuidados antes de realizar doações ou fornecer dados pessoais pela internet.
“Não queremos desestimular a solidariedade das pessoas, mas é fundamental conferir a autenticidade dos sites, verificar a chave PIX, confirmar a destinação dos recursos e buscar referências antes de efetuar qualquer transferência. Esse cuidado evita que a boa intenção de ajudar acabe financiando organizações criminosas”, afirmou.
As investigações continuam para identificar novas vítimas, rastrear o patrimônio obtido com os crimes e apurar a participação de outros envolvidos no esquema.










