Com a chegada do período de São João e as tradicionais comemorações de Norte a Sul do Espírito Santo, os consumidores capixabas já preparam o bolso para as compras de bebidas, doces e trajes típicos. No entanto, o que muita gente não calcula na hora de ir ao supermercado ou às lojas de variedades é o peso dos tributos embutidos em cada produto. Um levantamento do advogado tributarista capixaba Samir Nemer, sócio do escritório FurtadoNemer Advogados, revela que a carga tributária dos produtos das Festas Juninas pode ultrapassar a marca de 64% do valor final, pesando direto no orçamento das famílias no ES.
O estudo, baseado em dados do Impostômetro, detalha o impacto fiscal em itens que vão desde os fogos de artifício até o tradicional quentão e os doces mais procurados nas quermesses do Estado.
Bebidas lideram o ranking da carga tributária no São João
Para quem planeja aquecer as noites frias de junho com as bebidas típicas dos arraiás, o peso dos tributos é o principal vilão dos preços elevados. De acordo com o especialista em Direito Tributário, o vinho importado lidera a lista de taxação, seguido de perto pelos artefatos que garantem o espetáculo visual da festa.
“As festas juninas movimentam uma grande variedade de produtos, e boa parte dos consumidores não percebe que uma parcela relevante do valor pago corresponde a tributos já embutidos no preço final”, explica Samir Nemer, mestre em Direito Tributário.
Confira a incidência de impostos nas bebidas mais consumidas:
Vinho importado: 64,57%
Fogos de artifício: 58,56%
Quentão: 47,24%
Vinho nacional: 45,56%
Cachaça: 43,86%
Paçoca, canjica e bolo de milho: o peso dos impostos nos doces típicos
Se a preferência do capixaba está na mesa de doces, os percentuais continuam expressivos e reduzem o poder de compra. Ingredientes essenciais para receitas tradicionais da culinária junina, como o leite condensado e o amendoim, carregam mais de um terço de seu valor apenas em taxas fiscais.
A paçoca e o pé de moleque, duas das maiores tradições das quermesses capixabas, registram uma carga tributária de 39,21%. Na sequência, a canjica apresenta 37,22% de impostos, enquanto a cocada responde por 36,98%. Até mesmo insumos básicos entram na rota do Fisco: o leite condensado tem tributação de 35,78% e o amendoim atinge 34,58%.
Até a camisa xadrez: trajes caipiras também são taxados
Nem mesmo o visual para a quadrilha escapa da arrecadação tributária. Quem pretende renovar o guarda-roupa ou vestir as crianças para as festas escolares na Grande Vitória e no interior do Estado precisa estar ciente de que o vestuário típico traz embutido um custo fiscal elevado.
O cinto de couro lidera o segmento com 40,72% de carga tributária. O tradicional vestido caipira registra 34,67% de impostos. Já os itens mais populares e indispensáveis da caracterização, como a camisa xadrez e o chapéu de palha, aparecem empatados com uma incidência de 34,58%.
Para Samir Nemer, o acesso claro a esses dados qualifica a percepção do cidadão sobre a realidade econômica do país.
“Quando o consumidor entende quanto dos valores pagos corresponde a tributos, ele passa a ter uma visão mais clara sobre a formação dos preços e sobre o funcionamento do sistema tributário. A transparência é um elemento importante para qualificar esse debate”, finaliza o advogado tributarista.










