O Ministério Público Federal acolheu uma denúncia grave que promete tirar o sono de dirigentes de um conselho e entidade de classe com forte atuação no estado. De acordo com os documentos aceitos pelo órgão, funcionava um suposto esquema de doação de verbas para eventos cujo principal diferencial era a falta de rastreabilidade digital: os pagamentos eram feitos integralmente por meio de saques de dinheiro em espécie.
O montante acumulado nos últimos anos ultrapassa a impressionante barreira dos R$ 7 milhões. Nos corredores da política capixaba, a pergunta que não quer calar é uma só: quem eram os responsáveis por transportar os “tijolos” de notas e quais eventos realmente aconteceram com esse dinheiro vivo?
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O “milagre” da multiplicação de cargos comissionados em Jardim Camburi
Se em nível federal o problema é o dinheiro vivo, no ambiente municipal o calcanhar de Aquiles continua sendo a moralidade na distribuição de cargos de confiança. Uma conhecida figura política do bairro Jardim Camburi, em Vitória, escalada para defender e coordenar a campanha de um pré-candidato a deputado federal, acabou de ser abrigada em um novo e generoso cargo comissionado.
A “bondade” com dinheiro público, contudo, ganhou contornos de empresa familiar. No cargo e poder onde o articulador estava lotado anteriormente, foi nomeada a sua própria esposa. O resultado? Dois salários de cargos por indicação garantidos para o mesmo teto.
O caso gera forte desgaste nos bastidores pelo perfil do envolvido. A figura em questão é a mesma que, posicionando-se publicamente como evangélico ferrenho e defensor intransigente da família tradicional, usou as redes sociais no ano passado para xingar e linchar publicamente pessoas envolvidas em um escândalo familiar local. Pelo visto, a defesa dos bons costumes e a indignação moral terminam exatamente onde começa a folha de pagamento das portarias por indicação jurídica.
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Estratégias e alianças da esquerda no ES
O Psol capixaba acaba de ganhar um reforço de peso na narrativa de rua. O historiador, comunicador popular e influenciador Jones Manoel (Psol), pré-candidato a deputado federal por Pernambuco, oficializou uma parceria política estratégica com o professor de história Vinícius Machado, que disputa a mesma vaga de federal pelo Espírito Santo.
Machado não é um nome qualquer no tabuleiro atual: ele atua como coordenador do movimento VAT (Vida Além do Trabalho) no ES, a linha de frente que inflamou as redes sociais e as ruas pelo fim da escala 6×1 de trabalho. Ao colar sua imagem a Jones Manoel — que possui grande apelo entre a juventude radicalizada na internet —, o Psol capixaba tenta nacionalizar o debate local e emparedar as bancadas ligadas ao setor empresarial do estado.
“Efeito Ethel Maciel” nas urnas da Ufes
Enquanto o Psol aposta na pauta trabalhista, o PT busca consolidar sua força histórica dentro da maior instituição de ensino do estado, a Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo). A epidemiologista e professora Ethel Maciel, ex-secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde e uma das vozes mais respeitadas da ciência capixaba, declarou publicamente seu apoio à pré-candidatura de Maurício Abdalla (PT) a deputado estadual.
Abdalla, professor de filosofia na Ufes e histórico educador popular, vai para a sua segunda disputa rumo à Assembleia Legislativa (Ales). Em 2022, operando uma campanha quase sem estrutura partidária tradicional ou grandes recursos, o filósofo surpreendeu ao cravar 8.178 votos.
“Queria manifestar o meu apoio ao professor Maurício Abdalla. Uma pessoa que, ao longo da sua trajetória de vida, sempre se dedicou à Educação, tanto a popular quanto a acadêmica. É comprometido com as causas sociais e os direitos humanos”, carimbou Ethel Maciel em vídeo gravado para as redes.










