Muito se fala sobre a importância dos órgãos de controle na proteção do patrimônio público. De fato, sua atuação é fundamental para garantir legalidade, transparência e eficiência na aplicação dos recursos da sociedade.
Mas existe uma reflexão necessária: quem reconhece e valoriza os profissionais que fazem o desenvolvimento acontecer?
Por trás de cada rodovia, ponte, sistema de abastecimento de água, obra de saneamento, porto, ferrovia ou empreendimento industrial, existe um conjunto de servidores públicos que analisa projetos, emite licenças, conduz processos, elabora pareceres, acompanha contratos e toma decisões técnicas que permitem transformar investimentos em realidade.
São engenheiros, geólogos, analistas ambientais, gestores públicos, especialistas em licenciamento, fiscais de contratos e diversos outros profissionais que carregam diariamente a responsabilidade de conciliar desenvolvimento, sustentabilidade, segurança jurídica e interesse público.
Entretanto, observa-se no Brasil uma distorção crescente. As carreiras ligadas ao controle e à fiscalização passaram, ao longo dos anos, a receber remunerações significativamente superiores às carreiras responsáveis pela execução das políticas públicas e pela viabilização dos investimentos.
A questão não é criticar a justa valorização dos órgãos de controle. O problema é a ausência de valorização equivalente daqueles que produzem os resultados concretos esperados pela sociedade.
Enquanto um auditor é reconhecido por apontar riscos ou evitar prejuízos potenciais, raramente se mede o valor gerado por um servidor que, com responsabilidade e conhecimento técnico, consegue destravar um investimento de centenas de milhões de reais, gerando empregos, renda, arrecadação e melhoria da qualidade de vida da população.
Em muitos casos, esses profissionais convivem com elevada responsabilização pessoal, escassez de estrutura, excesso de demanda e remuneração incompatível com a complexidade das decisões que precisam tomar.
O resultado é preocupante. Surge um ambiente de insegurança decisória, excesso de cautela e lentidão administrativa. Muitos preferem não decidir a correr o risco de serem responsabilizados futuramente por decisões tomadas de boa-fé e amparadas por critérios técnicos.
O Brasil precisa avançar para um modelo de administração pública que valorize simultaneamente o controle e a capacidade de entrega.
Meritocracia não pode ser aplicada apenas para quem fiscaliza. Deve alcançar também quem produz resultados, quem reduz prazos, quem melhora processos, quem viabiliza investimentos e quem contribui efetivamente para o desenvolvimento econômico e social.
A sociedade precisa compreender que controlar é importante. Mas realizar também é.
Nenhum empreendimento sai do papel apenas com fiscalização. É necessário planejamento, análise técnica, licenciamento, gestão e decisão.
O verdadeiro equilíbrio institucional ocorre quando o Estado reconhece que fiscalizar e executar são funções complementares, igualmente estratégicas e igualmente merecedoras de valorização.
Se queremos mais investimentos, mais infraestrutura e mais desenvolvimento, é preciso prestigiar aqueles que, todos os dias, transformam projetos em realidade.










