O Espírito Santo possui uma população estimada de aproximadamente 492 mil cães e gatos, considerando os parâmetros populacionais adotados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a estimativa da população canina e estudos de referência utilizados para a população felina.
Embora nem todos esses animais estejam em situação de abandono, muitos são semidomiciliados ou mantêm vínculo com moradores e comunidades que oferecem alimento e cuidados básicos, esse número revela a dimensão de um desafio que impacta diretamente a proteção animal, a saúde pública e a qualidade de vida nas nossas cidades.
Diante dessa realidade, uma pergunta costuma surgir: investir em programas gratuitos de castração é realmente uma prioridade?
A resposta está nas ruas, nos abrigos lotados e na rotina de protetores que lutam diariamente para salvar animais vítimas do abandono, da negligência e dos maus-tratos.
O abandono, muitas vezes, começa antes de um animal ser deixado nas ruas. Ele começa na reprodução sem planejamento e sem a possibilidade de garantir um lar para todos os filhotes.
Por isso, a castração é uma das políticas públicas mais eficientes da causa animal. Ela atua na origem do problema, reduz a superpopulação, evita sofrimento, diminui o abandono e contribui para a saúde e o bem-estar dos animais.
Quem vive essa realidade sabe que os resgates nunca param. Enquanto alguns animais são adotados, muitos outros continuam nascendo em situação de vulnerabilidade. Sem prevenção, esse ciclo continuará se repetindo.
Ao longo da minha atuação na causa animal, acompanhando resgates e ouvindo protetores, aprendi que cuidar dos animais também significa agir antes que o sofrimento aconteça.
No Congresso Nacional, tenho trabalhado para fortalecer a conscientização e a proteção animal. Fui relator do Projeto de Lei nº 46/2021, que amplia a divulgação de mensagens educativas contra maus-tratos e abandono em embalagens de produtos destinados aos animais, incentivando também os canais oficiais de denúncia.
Nosso gabinete também mantém uma Ouvidoria da Causa Animal, disponível no site e no link do Instagram, para denúncias de maus-tratos, abandono e pedidos de ajuda.
Resgatar é fundamental. Adotar transforma vidas. Denunciar é um dever. Mas prevenir continua sendo o caminho mais eficiente.
Por isso, a pergunta não deve ser quanto custa a castração gratuita.
A verdadeira pergunta é: quanto sofrimento podemos evitar quando escolhemos investir na prevenção?









