A Assembleia Legislativa do Espírito Santo acompanha as grandes transformações pelas quais passou o nosso estado, faz mesmo parte delas. Ao acompanhar e participar de nosso processo político, ela registrou em seus arquivos, ao longo do tempo, os debates e as discussões sobre a formação econômica e da própria cidadania no Espírito Santo. Podemos mesmo afirmar que ela ajudou a formatar a nossa identidade ao longo desses 190 anos, contribuindo para a representação dos cidadãos e de seus interesses.
Tanto é assim que em seus arquivos estão preservados documentados que contam muito de nossa história, inclusive conflitos e nossas conquistas democráticas. São episódios que ajudam a compreender a trajetória da sociedade capixaba, e importante papel de seu poder legislativo.
Entretanto, tanta história quando permanece presa aos arquivos, ou mesmo aos ambientes mais intelectuais, corre o risco de se afastar do cidadão comum. É justamente para evitar esse afastamento que a exposição em cartaz no momento na Assembleia Legislativa assume importância.
A amostra está aberta ao público desde o dia 26 de maio na própria sede do poder legislativo, na Enseada do Suá, e materializa um amplo trabalho de pesquisa, organização documental, catalogação e interpretação histórica realizada por uma equipe de historiadores da Universidade Federal do Espírito Santo, coordenada pelas professoras doutoras Adriana Campos e Kátia Motta, mas que contou com uma equipe ampla tanto na área de pesquisa quanto na digitalização dos documentos. Para isso foi criado um comitê técnico, coordenado pelo secretário de relações institucionais da Assembleia, Giuliano Nader. Sou o coordenador de conteúdo histórico.
A exposição, com o nome de 190 caminhos da cidadania, transforma pesquisa em experiência sensorial. O projeto expográfico é do conhecido artista plástico e designer Ronaldo Barbosa, articula acervos, imagens, recursos audiovisuais e obras de artistas contemporâneos, em um percurso que aproxima memória, cidadania, democracia e futuro.
Dessa forma e com belíssima estética, conectando passado e presente, a arte amplia a capacidade da história de dialogar com diferentes públicos e cria novas formas de compreender a trajetória política, social e cultural do Espírito Santo. Além disso, a pesquisa histórica é um projeto de extensão da Ufes que tem como um de seus objetivos aproximar conhecimento e grande público.
Ao abrir as suas portas para a sociedade, a Assembleia Legislativa compartilha parte significativa de sua própria história e fortalece a ideia de que a democracia se constrói por meio de acesso, da transparência e do reconhecimento da trajetória coletiva de um povo, em seu território cultural. Essa dimensão pública se amplia através do projeto educativo da mostra, voltada para estudantes – inclusive das escolas públicas – professores e jovens visitantes.
Em um momento fortemente marcado pelo distanciamento entre instituições e sociedade no Brasil, aproximar crianças e jovens da história do parlamento capixaba, significa fortalecer valores democráticos, estimular o pensamento crítico e ampliar a compreensão sobre a vida pública e o papel das instituições na construção da cidadania.
Enfim, a exposição Caminhos da Cidadania convida os capixabas para um reencontro com os fatos que ajudaram a construir o Espírito Santo ao longo de quase dois séculos. Caminhar pela história da Assembleia Legislativa é também compreender parte importante das transformações, tensões, avanços e desafios que ajudaram a moldar o progresso e a prosperidade capixabas.
Importante que todos visitem esses 190 Caminhos da cidadania capixaba, que saúdem a democracia, que volta e meia é ameaçada por soluços autoritários e propostas fáceis que só interessam, no fundo, a um pequeno grupo de privilegiados.









