Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 12 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE). Como dirigente empresarial, representou o Brasil em eventos internacionais. É presidente da Escola de Associativismo. Avô de Davi e Elisa.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

Você sabe o que significa “lobby”? É legal? É ético?

Quando alguém fala em “lobby” no Brasil, a reação quase automática é negativa. A palavra costuma vir carregada de desconfiança, como se estivesse sempre associada a algo ilegal, antiético ou realizado nos bastidores de forma obscura.

Mas será que é isso mesmo?

Segundo o Dicionário Oxford, o termo lobbying (lobismo) surgiu a partir dos encontros entre parlamentares e membros da nobreza britânica nos corredores — os chamados lobbies — do Parlamento, antes e depois das sessões. Ali, pessoas buscavam influenciar decisões, apresentar demandas e defender interesses. Assim nasceram os chamados lobistas.

Ou seja: desde a sua origem, lobby é representação e defesa de interesses.

Na prática, lobby nada mais é do que a tentativa legítima de influenciar decisões públicas. Empresas, trabalhadores, associações e cidadãos organizados dialogam com o poder público para apresentar suas demandas, dificuldades e propostas. Isso não apenas é natural — como também é essencial em qualquer democracia madura.

Nos Estados Unidos e na Europa, o lobby é regulamentado, transparente e reconhecido como parte do processo democrático. Existem regras claras, registros públicos e mecanismos de controle.

No Brasil, por outro lado, ainda não há uma regulamentação específica. E é justamente essa ausência que alimenta o preconceito. Muitas vezes, a palavra “lobby” acaba sendo confundida com troca de favores ilícitos ou corrupção.

Mas isso é um equívoco. O lobby, em sua essência, é uma atividade legal, ética e necessária.

Vejamos alguns exemplos simples do dia a dia:

• Quando um presidente de sindicato de trabalhadores luta por melhores salários para sua categoria, ele está fazendo lobby.
• Quando um líder comunitário vai à Câmara Municipal pedir melhorias para seu bairro, ele está realizando lobby.
• Quando uma entidade empresarial atua para influenciar políticas públicas, ela está praticando lobby.

Eu mesmo, quando exerci, como dirigente voluntário, a presidência da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo, tinha como missão representar e defender os interesses da indústria capixaba. Atuávamos em nível estadual, nacional e até internacional.

Da mesma forma, atuei na presidência do SEBRAE-ES e no Conselho da Pequena Empresa, sempre com o objetivo de defender e fortalecer os micros e pequenos negócios.

Isso também é lobby.

Inclusive, o próprio Congresso Nacional reconhece, na prática, essa dinâmica. As chamadas bancadas temáticas — como a do agronegócio, a evangélica, a da segurança, a sindical, a de direitos humanos e a ambientalista, entre outras — são expressões claras da organização de interesses.

Isso também é lobby.

Portanto, o problema não está na existência do lobby. O problema está na falta de regras claras. A ausência de regulamentação não elimina a prática — apenas a torna menos transparente e mais sujeita a interpretações equivocadas.

O que o Brasil precisa não é combater o lobby, mas regulamentá-lo, como já fazem países desenvolvidos.

Com regras claras, transparência, igualdade de acesso e responsabilização, o lobby deixa de ser visto como algo suspeito e passa a ser reconhecido pelo que realmente é: uma ferramenta legítima de participação e representação.

Porque, no fim, alguém sempre estará influenciando decisões públicas. A diferença é saber quem, como e com quais interesses.

O que não pode — e nunca deve — acontecer é a prática de corrupção, subornos ou qualquer atividade ilícita. Isso não é lobby. Isso é crime.

Lobby é outra coisa.

É diálogo.
É representação.
É responsabilidade.

E uma pergunta pessoal:
Você já praticou lobby na sua vida, defendendo os seus legítimos interesses?

E mais uma reflexão:
Você já parou para pensar quem está, neste momento, fazendo lobby pelas decisões que impactam diretamente o seu negócio — e a sua vida?

Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 12 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE). Como dirigente empresarial, representou o Brasil em eventos internacionais. É presidente da Escola de Associativismo. Avô de Davi e Elisa.

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