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Mochila de costas não deve ultrapassar 10% do peso da criança, dizem especialistas

Bastou assistir a um filme de Harry Potter para que Tereza, 6, ficasse fascinada pelo universo do mundo bruxo. “Ela imagina que vai ser chamada para a escola de magia”, disse a mãe, Maira Piovezana, diretora de ensino da rede Anglo Alante, em São Paulo. Para a volta às aulas, o tema da nova mochila já estava definido. Só faltava decidir: de rodinha ou de costas?

“No ano passado, ela teve um encantamento pela mochila de costas. Eu fiz um combinado dizendo que se ela se comportasse, eu compraria uma”, conta Maira, que fez a vontade da filha. “Mas me preocupa a questão do peso. Ela está começando o primeiro ano, talvez a mochila fique mais pesada.”

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, não há um limite de peso específico definido, mas um cálculo com base no peso corporal da criança. A mochila não deve ultrapassar 10% do peso do estudante, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Se uma criança tem cerca de 30 quilos, por exemplo, a mochila de costas não deve passar de três.

Para ortopedistas infantis, o excesso pode transformar o trajeto até a sala de aula em um risco para a coluna em desenvolvimento.
“Mochilas com sobrecarga interferem diretamente no desenvolvimento musculoesquelético das crianças, que ainda estão em fase de crescimento”, afirma Rafael Moretti, ortopedista pediatra do Hospital Nove de Julho.

No curto prazo, o peso constante pode causar dores nos ombros, pescoço e lombar, fadiga muscular, formigamento nas mãos e até dificuldade de concentração na aula.
O excesso também pode prejudicar a concentração das crianças em sala de aula devido ao desconforto, segundo Alexander Rossato, médico ortopedista do Hospital Ortopédico AACD.
“No médio prazo, a sobrecarga contínua pode levar a contraturas musculares, inflamações articulares e desalinhamentos posturais”, diz Rossato.

Já no longo prazo, o excesso de carga pode agravar desvios de coluna, como escoliose (curvatura lateral) ou hipercifose (“corcunda”). “Além disso, podem surgir hérnias de disco precoces, gerando consequências na vida adulta”, afirma Moretti.

Segundo ele, se a criança precisa se inclinar para a frente para caminhar com uma mochila nas costas, isso significa que ela está pesada demais, independentemente de estar dentro da porcentagem recomendada.

Maira conta que Tereza encheu a nova mochila com vários materiais para testar o peso. “Ela sempre diz que não está pesada e que consegue levar, porque ela quer muito continuar usando. Mas eu vou ficar atenta ao peso.”Como plano B, a mãe guardou a antiga mochila de rodinha. “Se não der certo, ela volta para a que usava no ano passado.”

VEJA 5 DICAS PARA QUE AS CRIANÇAS USEM MOCHILA DE COSTAS CORRETAMENTE

Revise o conteúdo diariamente
Verifique a mochila todo dia, levando só o essencial para aquela aula. Elimine itens desnecessários como pedras, brinquedos ou restos de lanche para reduzir o peso.

Leve garrafa vazia
Encha no bebedouro da escola, evitando carregar água extra o dia todo.

Use nos dois ombros
Sempre ajuste as alças para os dois ombros, bem fixadas ao corpo, mantendo a mochila na altura da cintura para boa postura.

Distribua o peso corretamente
Coloque livros e itens pesados no compartimento principal, rente à coluna, para equilibrar o centro de gravidade e evitar fadiga.

Peça ajuda à escola
Sugira armários para itens pesados, materiais digitais, compartilhamento de livros e apostilas, rampas, elevadores ou canaletas em escadas para mochilas de rodinha.

COMO ESCOLHER A MOCHILA IDEAL
Na hora de escolher o melhor modelo, é consenso entre os especialistas que as famílias devem priorizar a saúde, considerando a funcionalidade e a ergonomia. “Estampas e desenhos devem ser deixados em segundo plano”, diz Moretti.

“As mochilas com rodinhas são uma boa alternativa, desde que a criança não precise subir escadas com frequência”, recomenda Rossato.

Já mochilas de costas devem ter duas alças largas, acolchoadas e ajustáveis, permitindo o uso nos dois ombros. Os modelos com cintas ajustáveis no peito ou na cintura ajudam a estabilizar a carga. Além disso, compartimentos internos facilitam a distribuição equilibrada do peso.

É importante avaliar também a estrutura e a altura total da mochila, que não deve ser maior que o tronco da criança. De acordo com a SBO (Sociedade Brasileira de Ortopedia), a mochila não pode pesar mais do que um quilo quando vazia.

Segundo Moretti, refletores são especialmente importantes para estudantes que caminham pelas calçadas em período de pouca luminosidade.

SINAIS DE ALERTA DO EXCESSO DE PESO DA MOCHILA ESCOLAR
– Quando a criança reclama de dores nas costas
– Mudanças fisiológicas nas curvaturas normais da coluna vertebral
– Alteração na forma de andar durante a utilização da mochila
– Aumento da pressão nos pés, o que pode causar dor e incômodo
– Modificação da frequência respiratória quando a criança caminha com a mochila

Por Vitor Hugo Batista – São Paulo, FolhaPress

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