O Espírito Santo deixou de ser apenas espectador para se tornar protagonista no circuito brasileiro de grandes exposições internacionais. Ao longo da última década e meia, projetos culturais de grande porte realizados em Vitória consolidaram um novo eixo da economia criativa no Espírito Santo, com impactos diretos sobre turismo, serviços, comunicação, educação e estratégias de marca. Estimativas conservadoras indicam que essas ações já movimentaram dezenas de milhões de reais na economia local.
Por trás dessa transformação está o publicitário Álvaro Moura, à frente da Unidade de Grandes Projetos da Premium Comunicação Integrada de Marketing. Especializada na criação, produção e gestão de exposições de alcance internacional, a empresa foi responsável por trazer ao Estado nomes como Leonardo da Vinci, Portinari, Modigliani, Chagall, Picasso, Dalí, Michelangelo e, agora, Rembrandt. Todas as exposições foram estruturadas sem dependência direta de recursos públicos, com patrocínio empresarial e projetos de marketing cultural orientados a retorno institucional.
Investimento privado e cadeia produtiva
Cada grande exposição envolve aportes relevantes em logística internacional, seguros, transporte especializado, montagem expográfica, comunicação, produção cultural, ações educativas e operação diária. Esses recursos se espalham por uma cadeia produtiva local que inclui hotéis, restaurantes, transporte urbano, gráficas, produtoras audiovisuais, empresas de montagem, educadores, monitores e profissionais criativos.
A exposição Por Dentro da Mente de Leonardo da Vinci, realizada em 2009 no Palácio Anchieta, recebeu mais de 30 mil visitantes. Desde então, os projetos ganharam escala, visibilidade nacional e maior capacidade de atração de público regional e interestadual, ampliando o efeito multiplicador sobre o comércio e os serviços da capital.
Cultura como estratégia econômica
Exposições como Portinari na Coleção Castro Maya, Modigliani – Imagens de uma Vida, Mestres Franceses, Di Cavalcanti – Flores e Amores, Mestres Espanhóis e A Beleza na Escultura de Michelangelo posicionaram Vitória como destino de turismo cultural qualificado. Para as empresas patrocinadoras, esses projetos funcionam como plataformas de branding de alto valor simbólico, associando marcas à educação, à sofisticação cultural e à experiência do público.
Esse modelo contribui para a diversificação da matriz econômica capixaba, tradicionalmente concentrada em logística, mineração e indústria. A economia criativa passa a atuar como vetor complementar de crescimento, com geração de empregos, circulação de renda e fortalecimento da imagem institucional do Estado.
Visibilidade nacional e valor institucional
Com sólida experiência na mídia — incluindo passagens pela TV Globo e pelo Globo.com —, Álvaro Moura incorporou estratégias de narrativa e distribuição de conteúdo que ampliam o alcance dos projetos. As exposições realizadas no Espírito Santo frequentemente alcançam cobertura em veículos nacionais, como TV Globo, Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, elevando o retorno institucional para patrocinadores e para o próprio Estado.
Rembrandt e a consolidação do mercado
Em fevereiro, Vitória recebe a exposição Rembrandt – O mestre da luz e da sombra, com 69 gravuras originais. Após passar pelo Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro, e pela Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte, a mostra chega ao Palácio Anchieta como mais um indicativo da maturidade do mercado cultural capixaba e do potencial econômico dessas iniciativas.
Mais do que eventos culturais, as grandes exposições se consolidam como ativos econômicos, capazes de gerar impacto financeiro mensurável e posicionar o Espírito Santo como polo permanente da economia criativa no Brasil.
Impacto econômico estimado das grandes exposições
(estimativa realizada sobre um cenário capixaba conservador)
- Número de grandes exposições realizadas: 8
- Público total estimado: entre 220 mil e 260 mil visitantes
- Gasto médio conservador por visitante (transporte, alimentação, consumo local): R$ 80 a R$ 120
- Movimentação indireta estimada: R$ 17,6 milhões a R$ 31,2 milhões
- Investimentos diretos em produção, logística, comunicação e operação: R$ 20 milhões a R$ 25 milhões (acumulado)
Impacto econômico total estimado: entre R$ 37 milhões e R$ 56 milhões ao longo de aproximadamente 15 anos.











